Lula descarta volta à Presidência em 2014 em entrevista a jornal

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em uma longa entrevista publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” desta sexta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a intenção de voltar ao poder em 2014, seja qual for o resultado das eleições deste ano. Ou seja, com a ministra da Casa Civil e candidata do governo, Dilma Rousseff, derrotada ou vitoriosa.

Ao ser questionado se a candidatura de Dilma seria apenas a continuidade de seu poder e um pretexto para sua volta num próximo mandato, Lula descartou a possibilidade. “Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio (...). Eu já tive a graça de Deus de governar este país por oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese”, disse.

Na véspera da ratificação da candidatura da ministra à presidência, que ocorre neste sábado (20) durante o 4.° Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília, Lula destacou que a escolha da candidata não foi por falta de opção dele ou do partido e não tem nada a ver com os escândalos que abateram o partido ao longos dos últimos sete anos. “Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade, de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata (...). Na minha cabeça não tinha principais candidatos. Estou absolutamente convencido que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.” Para o presidente, Dilma deverá ficar dois mandatos no cargo se for eleita.

Durante a entrevista, o presidente atacou a oposição e disse que não existe campanha antecipada, como alegam o PSDB e o DEM, que já ingressaram com diversas ações no TSE contra Lula e a ministra Dilma. “As pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar”, afirmou.

Sobre o aliado Ciro Gomes (PSB) e sua possível candidatura à presidência, Lula disse que pretende conversar com o deputado sobre sua intenção de concorrer ao Planalto. "O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. (...) E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes.

Em relação à defesa que o governo federal fez do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), durante a crise do ano passado, o presidente limitou-se a dizer que não via motivos para a cassação dele. “Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?”, argumentou.

Lula voltou a dizer que pretende investigar mais profundamente o caso do “mensalão do PT” quando deixar a presidência da República, mas não destacou nomes nem se é a favor ou contra a cassação dos envolvidos no escândalo. Segundo o presidente brasileiro, há coisas a serem esclarecidas sobre o caso, mas ele só o fará após deixar o Palácio do Planalto. Questionado pelo jornal sobre uma possível traição e sobre os nomes dos possíveis traidores, Lula disse que "quando eu deixar a Presidência, eu posso falar."

Sobre a proximidade do Brasil com o Irã, o presidente destacou que as forças internacionais não podem cair na mesma armadilha do Iraque, quando EUA e seus aliados alegavam que o país tinha armas de destruição em massa. ""O Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país  que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha."

Questionado sobre como classifica seu governo, Lula respondeu: "É uma hiperdemocracia. O meu governo é a essência da democracia."

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