Para Serra, oposição não deve fazer uso político de Kassab porque "um montão de petistas" foi cassado

Guilherme Balza

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

Kassab não vê perseguição ao DEM

  • O prefeito falou a respeito da cassação do seu mandato em primeira instância, suspensa após a sua defesa apresentar recurso

Atualizado às 18h38

O governador José Serra (PSDB) afirmou nesta terça-feira (23) que não acredita no uso político, pela oposição, da cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), determinada pelo juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, por irregularidades nas contas de campanha de 2008. A cassação de Kassab e sua vice, Alda Marco Antônio (PMDB), foi suspensa após a defesa do prefeito apresentar recurso na tarde de ontem (22).

Para o governador, tirar proveito político do episódio seria “ridículo”. “Eu acho que a oposição não vai usar, até porque foram cassados um montão de [vereadores] petistas”, disse, durante a inauguração da Escola Técnica Jaraguá, na zona norte da capital paulista, em referência aos parlamentares do PT que tiveram o mandato cassado na mesma decisão judicial.

Na tarde desta terça-feira (23), contudo, a Justiça Eleitoral suspendeu a cassação dos vereadores paulistanos Antonio Donato, Arselino Tatto, Juliana Cardoso e José Américo Dias (todos do PT). Não há prazo para julgamento no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) dos recursos apresentados tanto pelos vereadores petistas, quanto pelo prefeito e sua vice.

Diferentemente das lideranças do DEM em Brasília, Kassab, que também compareceu à inauguração, disse ter certeza de não estar havendo uma perseguição contra seu partido, após a cassação do seu mandato em primeira instância e a prisão do governador do DF, José Roberto Arruda. “Essa questão [da minha cassação] não tem vinculação partidária, até porque o juiz estendeu essa decisão à candidatura de vários partidos. Tenho certeza de que não há perseguição”, afirmou.

Ao ser questionado o que o governador lhe falou sobre a cassação, Kassab disse que ambos "não conversaram sobre o assunto".

Motivos da cassação
De acordo com o juiz que determinou a cassação, Kassab e Alda receberam R$ 10 milhões em doações irregulares na eleição que os indicou à sucessão de José Serra em 2008. O valor representa 33,5% dos quase R$ 30 milhões arrecadados na campanha do atual prefeito.

No processo contra o prefeito, o promotor eleitoral Maurício Lopes acusou o prefeito de ter recebido doações ilegais da AIB (Associação Imobiliária Brasileira), de sete empreiteiras e do Banco Itaú. A acusação argumenta que a AIB é uma empresa de fachada do Secovi (sindicato do setor imobiliário), o que fere a legislação eleitoral, já que sindicatos não podem fazer doações para campanhas. O Secovi afirma não ter vínculo com as doações.

Com relação às empreiteiras - Camargo Corrêa, OAS, Serveng Cilvisan, CR Almeida, Carioca Christiani Nielsen, S.A. Paulista e Engeform - o promotor alega que elas são acionistas de concessionárias de serviços públicos e, portanto, devem ser equiparadas às próprias concessionárias, que não podem fazer doações.

Ainda segundo a denúncia, o Banco Itaú não poderia contribuir na campanha, já que a prefeitura utiliza o banco para fazer o pagamento a uma parte dos seus funcionários.

Para o juiz, que julgou e rejeitou cassação em processos similares dos candidatos derrotados em 2008 Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), o percentual de 20% da arrecadação é o piso para caracterização de abuso de poder econômico.

Além do governador e do prefeito, compareceram à inauguração da escola técnica Geraldo Alckmin - atual secretário estadual do Desenvolvimento - e deputados estaduais e vereadores da base aliada.

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