Deputados distritais envolvidos no mensalão do DEM já podem ser notificados

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Começa nesta sexta-feira (26) a contagem regressiva para os deputados distritais Júnior Brunelli (PSC), Eurides Brito (PMDB) e Leonardo Prudente (sem partido) receberem a notificação da abertura do processo de cassação do mandato deles na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Os três são acusados de envolvimento do chamado mensalão do DEM, o esquema de enriquecimento ilícito e pagamento de propina a políticos por empresas de informática que tinham contratos no governo do Distrito Federal, segundo investigações da Polícia Federal.

Para serem notificados, esses os deputados devem receber e assinar um documento, a ser enviado pelo relator do processo de cassação. Enquanto não recebem a notificação, os três deputados podem apresentar carta de renúncia, que terá que ser lida em plenário para ser validada.

Foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal desta sexta-feira (26) o resultado da reunião extraordinária do dia anterior, que indica a possível quebra de decoro dos parlamentares e a designação da relatoria dos deputados que irão julgá-los. Com a publicação, começa a valer o prazo para que os deputados recebam a notificação.

Após serem notificados, os deputados não poderão impedir mais o processo de cassação, mesmo se renunciarem aos mandatos. Se forem cassados, eles terão os direitos os direitos políticos suspensos por cinco anos.

Os deputados distritais Eurides Brito (PMDB) e Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM) manifestaram nesta quinta-feira (25) a disposição para não renunciar ao cargo e correr o risco de perder o mandato e os direitos políticos pelos próximos cinco anos. Em relação a Brunelli, a expectativa é de que ele renuncie e volte a se candidatar em outubro.

Prudente foi flagrado em vídeo colocando dinheiro de suposta propina nas meias; Eurides foi flagrada colocando dinheiro na bolsa e Brunelli aparece rezando antes de receber dinheiro. Os três negam envolvimento no esquema do mensalão do DEM.

A Comissão de Ética vai analisar ainda a situação de outros cinco deputados: Ayilton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB).

Entenda as acusações contra os 9 deputados distritais:
Ayilton Gomes (PR) – foi mencionado em uma das gravações da Polícia Federal como um dos beneficiados do recebimento de dinheiro. A conversa foi entre o delator (e ex-Secretário de Relações Institucionais) Durval Barbosa, o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e o ex-chefe da Casa Civil José Gerardo Maciel. Defesa: O parlamentar nega o fato e nega que tenha participado da conversa.

Benedito Domingos (PP) – também foi mencionado em uma das gravações da Polícia Federal como um dos beneficiados do recebimento de dinheiro. A PF obteve gravação de conversa dele com Durval Barbosa, Arruda e José Gerardo Maciel. Durval disse ainda que pagou R$ 6. 000.000, 00 para que o PP apoiasse a então candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal em 2006. Defesa: Domingos nega o recebimento de tais valores e nega ter participado de qualquer conversa.

Benício Tavares (PMDB) – foi flagrado em vídeo conversando com Durval Barbosa. Segundo Barbosa, o deputado teria feito pagamentos a ele a mando de Arruda. Defesa: Tavares nega o recebimento do dinheiro e ainda indicou que prova feita de forma ilegal não tem validade jurídica.

Cabo Patrício (PT) – acusado de mudar lei para beneficiar empresa do filho do ex-presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido). Outra acusação se refere ao fato dele ter sido “leniente” no cumprimento da desocupação de estudantes que invadiram a Câmara em dezembro do ano passado. Defesa: ele nega, e o processo contra Patrício foi arquivado pela Comissão de Ética.

Eurides Brito (PMDB) – foi flagrada em um vídeo recebendo dinheiro e guardando-o em uma bolsa. A cena foi gravada pelo ex-Secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, um dos delatores da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que descobriu o suposto caso de corrupção e pagamento de propina a servidores e prestadores de serviço no governo do Distrito Federal. Defesa: A deputada nega e pediu a cópia original do vídeo, que não foi entregue pela PF à Câmara Legislativa.

Júnior Brunelli (PSC) – foi flagrado em um vídeo em que faz uma “oração” e recebe dinheiro. De acordo com Barbosa, ele recebia pagamentos “sucessivos desde 2002”. Defesa: O parlamentar nega.

Leonardo Prudente (sem partido) – foi flagrado em um vídeo colocando dinheiro na meia e nos bolsos do paletó. Defesa: Prudente admite o recebimento do dinheiro, mas alega que o vídeo foi adulterado, além de o fato ter ocorrido na campanha eleitoral anterior “não contaminaria o presente mandato”, segundo ele.

Rogério Ulysses (sem partido) – também foi mencionado em uma das gravações da Polícia Federal como um dos beneficiados do recebimento de dinheiro ilícito na conversa entre Durval Barbosa, Arruda e José Gerardo Maciel. Defesa: Ulysses nega o recebimento de qualquer dinheiro e ainda alega que as buscas não encontraram nenhuma evidência comprovando o caso.

Rôney Nemer (PMDB) – também foi mencionado em uma das gravações da Polícia Federal como um dos beneficiados do recebimento de dinheiro. A PF tem registros de conversa dele com Durval Barbosa, Arruda e José Gerardo Maciel. Defesa: O parlamentar nega. 

Veja a seguir que pode acontecer com Arruda e com o Distrito Federal

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