Dinheiro público bancou mensalão e contas do Fórum Social Mundial, diz revista

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

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    Revista "IstoÉ" desta semana diz ex-prefeito de BH Fernando Pimentel foi operador de esquema de remessa de dinheiro público para o exterior

    Revista "IstoÉ" desta semana diz ex-prefeito de BH Fernando Pimentel foi operador de esquema de remessa de dinheiro público para o exterior

Atualizado às 18h15

O mensalão, suposto esquema de compra de apoio político denunciado em 2005, recebeu recursos da Prefeitura de Belo Horizonte por intermédio do então prefeito Fernando Pimentel (PT) e do Banco do Brasil. A informação é da revista “IstoÉ”, distribuída nesta sexta-feira (26), que diz ter tido acesso ao processo no STF (Supremo Tribunal Federal), a ser analisado pelo ministro Joaquim Barbosa.

De acordo com a publicação, Pimentel remeteu ao exterior recursos que acabaram usados para pagar dívidas do PT com o marqueteiro Duda Mendonça. O ex-prefeito da capital mineira teria relações com o empresário Glauco Diniz Duarte e com o contador Alexandre Vianna de Aguilar, que enviaram ilegalmente, segundo o Ministério Público Federal, cerca de US$ 80 milhões aos EUA.

Desses, US$ 30 milhões teriam sido depositados nas contas da empresa Gedex International, de propriedade de Diniz. Esse dinheiro teria origem, de acordo com o Ministério Público mineiro, no superfaturamento de um contrato assinado por Pimentel com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) para instalar um circuito de câmaras nas ruas da cidade. Na época, diz a revista, Diniz dirigia a CDL.

Procurado pelo UOL Notícias, Pimentel se comprometeu por volta das 15h45 a falar com a reportagem 10 minutos depois, mas não tinha voltado a atender o celular até as 18h, horário da última tentativa de contato. Um texto atribuído a ele em seu site de apoiadores na internet refuta as acusações e diz que a revista "mistura alhos com bugalhos e faz ilações sem qualquer apoio na realidade".

"Para incluir o meu nome em sua reportagem, a 'IstoÉ' lançou mão de uma coincidência: o diretor financeiro da CDL à época do convênio para a instalação de câmeras mais tarde foi identificado como doleiro supostamente envolvido com o chamado mensalão", diz o texto.

"O convênio entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a CDL nunca foi alvo de ação da justiça. O projeto está em vigor até hoje, sem contestações, agora sob a responsabilidade da Polícia Militar. Como prefeito, nunca fui inquirido, indiciado ou denunciado por este convênio de jurisdição municipal", completa.

Pimentel é cogitado para ser coordenador da provável campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e disputa no campo governista para ser candidato ao governo de Minas Gerais, tendo como adversários os ministros Hélio Costa (PMDB, Comunicações) e Patrus Ananias (PT, Desenvolvimento Social).

Fórum Social Mundial e Banco do Brasil
Além do financiamento de políticos da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o inquérito também aponta, segundo a 'IstoÉ' a entrega de R$ 1 milhão à organização do Fórum Social Mundial para pagar o que um membro do PT gaúcho chamou de “dívidas históricas” do evento, nascido para se contrapor ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Chico Whitaker, da ONG Justiça e Paz e indicado como porta-voz da organização do Fórum, negou recebimento de dinheiro de qualquer partido político. Segundo ele, a edição de 2005, em Porto Alegre, deixou dívidas que foram pagas apenas por entidades não governamentais que integram o próprio Fórum. "Por príncipio, não recebemos dinheiro de partido nem de grupos que incentivam a violência", afirmou. De acordo com ele, o grupo vai preparar um comunicado por conta das acusações.

Também de acordo com a revista, uma funcionária do Banco do Brasil informou desvio de R$ 60 milhões em verbas que seriam usadas para uma campanha publicitária – nunca realizada - do banco e do produto Visa Electron.

A agência contratada foi a DNA, de propriedade do empresário Marcos Valério, tido como operador do mensalão petista e do similar tucano, engendrado anos antes na campanha derrotada ao governo estadual do hoje senador Eduardo Azeredo. A assessoria de imprensa informou que o banco não fará comentários sobre o assunto.

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