Em SP, Dilma e Lula usam lucro recorde do BB para atacar tucanos

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

Depois de o Banco do Brasil anunciar, na semana passada, o maior lucro anual da história do setor no país, com mais de R$ 10 bi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticaram nesta terça-feira (2) os antecessores por não valorizarem os funcionários públicos. O funcionalismo público é base de apoio do PT, partido fundado por Lula e pelo qual Dilma deve disputar a sucessão à Presidência este ano.

O presidente afirmou que o resultado do BB em 2009 “lava a alma daqueles que acreditam na importância do serviço público”, em contraposição “àqueles que acreditavam que a solução era privatizar”. A afirmação foi feita durante encontro de diretores do Banco do Brasil na capital paulista.

“Provamos que o Estado não é ineficaz. Precisou um metalúrgico socialista [vencer a eleição] para dizer que não existe capitalismo sem crédito”, afirmou Lula. “Há alguns anos, havia manchetes de déficit no BB. Aquelas manchetes cheiravam a gosto de privatização. Graças a Deus o BB não foi privatizado.”

Dilma afirmou que o Banco do Brasil foi um dos responsáveis pela superação da crise econômica e chamou de “fantasiosa” a ideia de que o mercado seria capaz de atenuar os efeitos das turbulências iniciadas em setembro de 2008. Em referência às crises internacionais da década de 1990, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, a presidenciável petista afirmou: “em vez de ser parte do problema, como nos anos 90, passamos a ser parte da solução, concedendo mais crédito e cumprindo uma função pública, conseguindo resultado maior que o dos bancos privados”.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistiu nesse discurso. “Se não fosse a ação do BB e dos outros bancos públicos, o Brasil teria sofrido a mesma escassez de outros países. O paradigma mudou”, afirmou.

Negócio com Serra
Segundo Lula, a compra do banco paulista Nossa Caixa pelo BB foi necessária para aumentar a presença do banco nacional no Estado mais rico do país e não foi definida por critério político. O governador paulista, José Serra (PSDB), é potencial candidato à Presidência, e teve de avalizar o negócio, de R$ R$ 5,38 bilhões.

“Tem gente que me recomendou que não comprasse a Nossa Caixa, por causa da eleição. Não conseguia ver assim. O BB já tinha perdido espaço e era a chance de crescer no Estado de São Paulo. As eleições serão em um outro momento. Não vamos atravancar o BB por mesquinharia política”, afirmou o presidente.

De acordo com Mantega, entre setembro de 2008 e janeiro de 2010, os bancos públicos aumentaram seu volume de concessão de crédito em 48%, enquanto os privados, só elevaram esses números em 11%. Já os bancos internacionais, os mais afetados pela crise, incrementaram a concessão em 4%. O total de crédito disponível no Brasil para pessoa física e empresas supera R$ 1 trilhão.

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