Após declaração de Hélio Costa, PT define calendário de prévias para sucessão em MG

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias

Em Belo Horizonte

Em reação à declaração do ministro Hélio Costa (Comunicações), que disse nesta semana que em 15 dias haveria um anúncio do candidato ao governo de MG pela coalizão PT/PMDB, a executiva estadual petista anunciou na noite de ontem seu calendário eleitoral. A intenção da sigla é resolver as questões internas para depois discutir alianças, segundo apurou o UOL Notícias.

O PT em Minas tem como pré-candidatos o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Patrus defende que sejam realizadas prévias, já Pimentel diz achar o modelo desgastante para a legenda e acredita que esse tempo deveria ser utilizado em conversas com outros partidos para realizar coligações. O PT, entretanto, afirmou que as prévias devem acontecer em dois dias: 2 de maio (1º turno) e 16 de maio (2º turno, se houver necessidade).

O presidente estadual do PT, deputado Reginaldo Lopes, minimizou, nesta sexta-feira (5), o calendário dizendo que se trata apenas de uma "formalidade". Após o anúncio do diretório nacional do PT recomendando que seus pré-candidatos não realizem prévias internas, Lopes garantiu que não haverá necessidade da votação em MG. "Em 30 dias, o PT de Minas terá o nome do seu candidato", disse.
 
Para isso, ficou definida a criação de uma “Comissão Política”, com interlocutores tanto de Patrus como de Pimentel, para intensificar o diálogo entre os dois pré-candidatos e conseguir dispensar a realização das prévias.

As prévias contrariam o desejo do presidente Lula, cuja intenção é fazer palanque único da base aliada no Estado para a pré-candidata da legenda, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Aparentemente ainda longe de acordo em Minas, PT e PMDB medem forças para definir o nome que comandará a possível aliança no 2º maior colégio eleitoral do país. O ministro Hélio Costa defende que o nome da aliança seja quem estiver mais bem-avaliado em pesquisas de opinião. Até o momento, ele detém o 1º lugar em todas as sondagens feitas.

Uma das tentativas de resolver o imbróglio foi a indicação do nome do vice-presidente José Alencar (PRB) para amarrar a aliança e acabar com as discussões. No entanto, ele próprio deu declarações de sua preferência em concorrer ao Senado.

Petistas minimizam desobediência e reclamam de Hélio Costa
Os petistas atenuaram o clima de confrontação com o acordo nacional e garantiram que não existe desobediência ao presidente Lula. Segundo uma fonte do partido que não quis ter o nome revelado, o presidente, até o momento, apenas sugeriu que o melhor nome fosse o do ministro Hélio Costa, diante da indefinição interna do PT mineiro.

A legenda vai acatar a decisão que for tomada pelo presidente, caso Lula tenha de intervir no episódio, afirmou a fonte. Outro petista, também sob condição de anonimato, disse acreditar que uma ingerência nacional não seria bem-vista pelos militantes mineiros. “Ainda temos tempo, não acredito que o presidente Lula vá se antecipar e se posicionar por agora. Primeiro vamos definir o nosso nome. A partir daí, poderemos manter as articulações com os outros partidos com mais clareza”, revelou.

Porém, as declarações do ministro foram recebidas dentro do PT como afronta e “forçaram a barra, como se o jogo já estivesse definido”, o que teria insuflado ainda mais a militância a se unir em torno de um nome dentro do próprio partido.

“A reunião que tivemos no PT parecia um muro das lamentações. Todo o mundo reclamando do ministro Hélio Costa. Ele foi infeliz na declaração, já que nós ainda estamos no início das conversações. Ele conduz de forma inadequada as negociações”, disse.

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