Lula descarta licenciar-se da Presidência para ajudar Dilma na campanha

Do UOL Notícias

Em São Paulo

Atualizado às 11h46

Em entrevista simultânea a rádios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) na manhã desta sexta-feira (5), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que não irá licenciar-se do cargo para fazer campanha eleitoral para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e outros candidatos da base aliada.


Ontem (4), coluna publicada no jornal "O Globo" afirmou que Lula poderia se afastar da Presidência e, em seu lugar, deveria assumir o cargo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já que os sucessores imediatos do presidente – o vice-presidente, José Alencar, e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP) – deverão concorrer nas próximas eleições.

“Seria uma coisa descabida um presidente pedir licença do cargo mais importante do Brasil para fazer campanha. Seria irresponsável”, disse Lula em Petrolina, acompanhado por Dilma Rousseff e pelos dois pré-candidatos ao governo do Estado da Bahia: Geddel Vieira Lima (PMDB) e Jaques Wagner (PT). A entrevista foi concedida às rádios Emissora Rural AM (Petrolina) e  Juzeiro AM.

Lula reforça que confrontará dados do governo FHC em campanha de Dilma

O presidente reforçou a estratégia de comparar as realizações de seu governo com as do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na campanha da pré-candidata à Presidência da República, ministra Dilma Rousseff.

Para Lula, se licenciar do cargo resultaria na desvalorização do candidato da base aliada. “Achar que eu me afastando posso ajudar mais um candidato do que estando na Presidência é diminuir o candidato”, afirmou. “Não há hipótese [da licença]. A ministra Dilma e outros ministros, quando chegar abril, irão se afastar. Eu fico na presidência até meia-noite de 31 de dezembro”, acrescentou o presidente.

Desconfortável com a eleição na Bahia
Após ser questionado por um jornalista, o presidente comentou as próximas eleições estaduais na Bahia. Antes aliados, Wagner e Geddel romperam e serão adversários no pleito. “Não fico confortável com essa situação. Gostaria que os dois estivessem juntos. Sonhava em construir uma aliança igual a que permitiu a vitória de Jaques Wagner em 2006”, disse Lula na entrevista, realizada no aeroporto de Petrolina.

O presidente ainda não definiu qual candidato apoiará, já que ambos são aliados do governo federal. “Temos tempo para construir muita coisa. São 30 dias para a descompatibilização e mais 30 dias para convenção partidária do PT. Política tem muito para acontecer”, afirmou.

Sobre a disputa presidencial, Lula voltou a defender uma eleição plebiscitária entre petistas, tucanos e seus respectivos aliados. "A eleição pode ser medida por um confronto de idéias e uma amostragem do que é possível para fazer pelo Brasil. Minha tese é que deveríamos fazer uma confrontação programática e de realizações. Foram oito anos para cada um. Temos que comparar", disse.

Lula se compara a Nelson Mandela
Na sequência da entrevista, o presidente afirmou que "mudou o paradigma do Brasil" e se comparou ao líder sul-africano Nelson Mandela. "Meu governo mudou o paradigma do Brasil. Quem governar depois de mim, não poderá pensar pequeno, não poderá desvalorizar o Nordeste", disse.

"Eu comparo muito [nosso governo] com o Mandela: os brancos sempre mandaram na África do Sul. Ele ficou 27 anos preso, até que um dia foi eleito presidente, e os 23 milhões de negros descobriram que eram maioria”, concluiu Lula.
 

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