Apesar da rivalidade nacional, PT e DEM se aliam para eleger prefeitos em Minas Gerais

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Arquirrivais no plano nacional, PT e DEM compuseram aliança para enfrentar no domingo (7) duas eleições fora de época em Minas Gerais. A justificativa dos líderes partidários no Estado é de “conjunturas regionais” que permitem a união entre a sigla fundada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a que faz a oposição mais dura a seu governo, sob custo de perda de representação no Congresso e baixa popularidade.

Em Nepomuceno, perto de Varginha, no sul do Estado, um petista encabeça uma chapa com vice do ex-PFL. Em Senador José Bento, na região de Poços de Caldas, a configuração é ainda mais abrangente: PT e DEM se uniram para eleger um candidato do PSDB, mesma sigla do prefeito cassado em 2009 por abuso do poder econômico.

As novas eleições nas duas cidades foram determinadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), em dezembro de 2009, por conta da cassação dos respectivos prefeitos e vice-prefeitos. Com 19.559 eleitores, Nepomuceno terá cinco chapas disputando a prefeitura. Em Senador José Bento, com 2.206 votantes, duas coligações disputam o poder.

O presidente do PT de Minas Gerais, deputado Reginaldo Lopes, disse ao UOL Notícias que o partido fazia oposição nas duas cidades e se uniu com o DEM por questões locais. Representantes do DEM mineiro não foram encontrados para fazerem comentários sobre a união com os rivais.

“O DEM não tem tradição nessas regiões e os seus líderes ali são figuras que poderiam estar em qualquer outro partido e estão ali por questão de espaço para se candidatarem”, afirmou Lopes. “O que nos importa em ambos os casos é que questão programática do PT seja levada em conta. Para eleição municipal, a orientação é fazer aliança com a base aliada do governo Lula. Mas pode haver exceções.”

A coligação formada pelos partidos em Nepomuceno se chama "A Escolha que Faz a Mudança", inclui também o PV e o PRB. O candidato a prefeito é Marcos Memento (PT), com Wagner Lúcio Spuri (DEM), na vice. Na pequenina Senador José Bento, a coligação "Trabalho Experiência e Honestidade" uniu os partidos em torno de Reinaldo da Costa Ferreira (PSDB), com Simão Pedro Belli (PT) na vice.

Uniões entre PT e PSDB são menos raras, mas na maioria das vezes são feitas sem inclusão oficial na aliança. O caso mais famoso desse tipo aconteceu na mesma Minas Gerais: a eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), com apoio oficial dos petistas e extra-oficial dos tucanos. O governador Aécio Neves (PSDB) tinha Lacerda como secretário de Estado e foi defensor de sua candidatura, ao lado do prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT).

Contexto
A nova eleição em Nepomuceno ocorre depois da cassação do prefeito José Sílvio de Carvalho (PDT) e do vice-prefeito, Alberto Washington Menezes Lima (PPS), por compra de votos. Ambos estavam afastados do cargo desde dia 9 de dezembro, quando o presidente da Câmara Municipal assumiu o posto.

Segundo a juíza relatora do caso no TRE-MG, Mariza Porto, "nos meses anteriores às eleições de 2008, a prefeitura de Nepomuceno ampliou o leque dos beneficiários do seu programa social de doação de cestas básicas” e “fez distribuir, junto com a benesse, exemplares dos 'santinhos' de propaganda do candidato”.

Em Senador José Bento, o prefeito João Amaro do Couto (PSDB) e seu vice, João Riciatti Fernandes, foram cassados em 15 de setembro de 2009, por abuso de poder político e econômico. A campanha deles também teria “oferecido dinheiro e distribuído material de construção a eleitores, às vésperas da realização das eleições de outubro”, de acordo com o TRE-MG.

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