Lula ironiza americanos e diz que não é o cara de Obama

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Em visita a instalações da Petrobras em Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (8) que parte da mídia brasileira mostrou subserviência aos Estados Unidos durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e usou tom irônico para se referir a uma frase de seu colega Barack Obama e do principal dirigente do Banco Mundial.

Ao lado dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente), Edison Lobão (Minas e Energia), Marcio Fortes (Cidades) e Franklin Martins (Comunicação Social), o presidente relembrou até do episódio em que Robert Zoellick, atual presidente do Banco Mundial, sugeriu ao Brasil que aderisse à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), quando se tornou representante comercial americano no governo do presidente George W. Bush.

Em discurso, Lula ironiza americanos

  • Obama errou ao me chamar de "o cara", diz Lula

“Eu ainda vi esses dias o que é a subserviência quando veio a Hillary Clinton aqui. Eu vi alguns setores da imprensa dando tratamento para ela como se eles não fossem ninguém”, disse o presidente, que alegou ter recebido a secretária pessoalmente “em deferência ao ministro Celso Amorim”, das Relações Exteriores.

“Ali conversa é de ministro para ministro. Quando for o Obama aí eu converso com ele. Não é nenhuma falta de respeito. É questão de hierarquia”, afirmou Lula, aplaudido por funcionários do complexo petrolífero, na cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Em seguida, o presidente falou sobre a auto-estima dos brasileiros em seu governo em uma referência a seu alvo americano predileto. “Quando eu tomei posse, um tal de Zoellick, que era o sub do sub, resolveu dar palpite sobre o Brasil. Porque era assim: qualquer pessoa se achava no direito de dar palpite sobre o Brasil”, disparou. O apelido "sub do sub" foi dado por Lula ao presidente do Banco Mundial por conta dos comentários em 2002, quando o mercado financeiro temia a vitória do petista.

Lula também foi irônico ao se referir a um comentário de Obama na reunião do G20 de abril do ano passado, em Londres. O presidente americano afirmou que o brasileiro é o político mais popular do mundo e que “é o cara”.

“Há uma diferença entre o que o Obama disse e a realidade. Se o Obama conhecer o Brasil, e eu espero que ele venha ainda neste ano, ele vai perceber o seguinte: ele se equivocou porque eu não sou o cara. Eu sou o presidente da República que governa um país de 190 milhões de caras, homens e mulheres, que sabem o que querem e que gostam deste país”, afirmou.

Veto ao TCU
O presidente afirmou que as obras em Itaboraí não foram interrompidas porque ele decidiu no fim de janeiro vetar orientações do TCU (Tribunal de Contas da União), que incluiu quatro obras da Petrobras na lista de obras com indícios de irregularidades. Com a decisão, contestada pela oposição, os projetos continuaram recebendo recursos de Brasília.

“Vamos fazer toda a investigação que tem que fazer, mas sem a contrapartida de 27 mil chefes de família sem emprego, que seria o resultado dessas obras todas paradas”, afirmou Lula.

Além do complexo petroquímico da cidade, foram beneficiadas pela decisão de Lula a refinaria Abreu e Lima (Pernambuco), o terminal de escoamento de Barra do Riacho (Espírito Santo) e a ampliação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR). Todas essas são obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), uma das principais vitrines eleitorais de Dilma, provável candidata do PT à sucessão presidencial.
 

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