Lula vai intervir em disputas estaduais para pacificar PT e PMDB, diz líder

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai intervir nas disputas estaduais onde o PT tiver dificuldades de composição com o PMDB, aliado preferencial para indicar o candidato a vice na chapa encabeçada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ele também deverá manter a legenda no comando de seis ministérios até o fim de seu mandato.

A informação foi dada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), depois de um almoço de Lula nesta quinta-feira (11) na companhia do presidente da legenda e da Câmara, deputado Michel Temer (SP), e do presidente do Senado, José Sarney (AP). "O casamento entre PT e PMDB está mais forte que nunca e a disposição do presidente é de ajudar a solucionar os impasses”, disse o líder.

As pendências entre petistas e peemdebistas dizem respeito principalmente a disputas estaduais. Recentemente, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Henrique Alves, afirmou que a definição de quem será o candidato da aliança em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, é "prioridade número um do partido".

Ali, o peemedebista e ministro das Comunicações, Hélio Costa, lidera as pesquisas de intenção de voto, mas dois petistas pleiteiam candidatura para enfrentar o vice-governador Antonio Anastasia (PSDB), aliado do governador Aécio Neves. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, rivalizam internamente, mas podem desistir em favor de Costa.

As cúpulas dos dois partidos devem se reunir nos próximos dias para tentar resolver as diferenças em Minas, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. “Vamos levantar os casos e das duas, uma: ou haverá entendimento ou um comportamento comum. Agora o presidente vai entrar na conversa”, afirmou Jucá.

Líderes do PT e do PMDB já afirmaram que onde a composição for impossível, como no Rio Grande do Sul, onde ambos são adversários históricos, haverá pacto de críticas apenas moderadas entre os rivais e defesa do governo Lula.

Além da situação nos Estados, Lula deverá garantir ao PMDB a continuidade nas pastas de Agricultura, Comunicações, Defesa, Integração Nacional, Minas e Energia e Saúde – bem como o Banco Central, presidido pelo recém–filiado Henrique Meirelles. Em 3 de abril, devem deixar seus cargos no Executivo todos aqueles que queiram se candidatar nas eleições de outubro deste ano.

O líder do governo no Senado disse também que a decisão do Ministério Público Federal de indiciar Meirelles por suposto crime contra a ordem tributária não atrapalharia o presidente do Banco Central de tentar se eleger para um cargo público neste ano. Fontes ligadas a Lula disseram nas últimas semanas que o petista prefere Meirelles a Temer como candidato a vice de Dilma.

“Vimos essa história do Meirelles com tranquilidade. Não atrapalha. Nem queremos enfraquecer o Meirelles nem fortalecer o Michel, porque já são candidatos fortes. O Meirelles, para o governo ou para o Senado por Goiás, e o Michel para a Vice-Presidência. Não estamos botando nada na balança”, disse Jucá.
 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos