Lula diz que sucessor não mudará política internacional "exitosa"

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Em entrevista a dois jornais do grupo israelense Haaretz e à ANBA (Agência de Notícias Brasil Árabe), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quem quer que o substitua no Palácio do Planalto a partir de 2011 manterá a política externa que rendeu respeitabilidade internacional ao mandatário e também críticas por sua aproximação com regimes autoritários.

“A política internacional nossa é tão exitosa que eu acho que dificilmente alguém teria coragem de mudá-la”, disse Lula, que tenta neste ano eleger presidente sua ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em um provável confronto com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Obviamente que há sempre possibilidade de fazer mais. E se a Dilma ganhar as eleições, certamente ela vai aprimorar tudo o que nós fizemos, e poderá fazer muito mais. Afinal de contas, ela já vai pegar a política caminhando, numa evolução extraordinária. E se for um candidato de oposição, eu acho difícil que eles consigam fazer uma reversão, porque a reversão seria prejudicial ao Brasil”, completou Lula, sem dar mais detalhes de que tipo de prejuízo seria esse.

Nesta mesma semana, em entrevista à agência AP (Associated Press), Lula comparou os presos políticos de Cuba com presos por crimes comuns em São Paulo, o que rendeu uma série de críticas da oposição e da mídia. Na ilha governada desde 1959 pelos irmãos Fidel e Raúl Castro, dissidentes estão em greve de fome para protestar contra as condições carcerárias e a favor da libertação de adversários do regime.

O governo brasileiro também recebe críticas por manter diálogo com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que deve receber a visita do presidente em seu país em maio, e pela falta de condenação a medidas consideradas autoritárias do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Em janeiro, a revista de política internacional “Foreign Policy” considerou Lula um dos “10 maiores hipócritas” de 2009, na contramão de outras publicações, como os jornais espanhol “El País” e o francês “Le Monde”, que no ano passado elogiaram a liderança do brasileiro para a recuperação da economia global, nos esforços para a diminuição da pobreza e na disposição de mediar disputas entre países ricos e emergentes.
 

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