Serra esboça agenda ambiental de candidatura à Presidência

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Sem admitir sua provável candidatura à Presidência da República pelo PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, lançou nesta segunda-feira (15) uma linha de financiamento mais barato para empresas que busquem crescimento sustentável e ajudem o Estado a cumprir metas ambientais fixadas para 2020. Segundo ele, sua decisão “poderia inspirar iniciativas semelhantes em escala nacional”.

O objetivo da iniciativa é levar pequenas e médias empresas a reduzir as emissões de gás carbônico, cobrando juros de 6% ao ano para compra de equipamentos menos poluentes. Serra afirmou que há até “100 milhões em crédito para apoiar quem precisa” e que se esse dinheiro acabar por conta da iniciativa ambiental “haverá como obter ainda mais”.

Os projetos aptos a receberem o financiamento são das áreas de agroindústria, mudança de combustíveis, saneamento, tratamento e aproveitamento de resíduos, energias renováveis, eficiência energética, transporte, processos industriais, recuperação florestal em áreas urbanas e rurais e manejo de resíduos.

“Essa é uma iniciativa que terá valor de grande exemplo para o país”, afirmou Serra durante evento com ambientalistas em São Paulo. “Introduzimos em São Paulo coisas que aprendemos em outros Estados e outros Estados introduziram coisas que aprenderam com São Paulo. É importante adotar as boas iniciativas que vemos.”

Os recursos do financiamento virão da Agência de Fomento Paulista, repassadora de dinheiro federal do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que foi aberta há um ano e desembolsou até agora, segundo dados oficiais, R$ 47 milhões. O órgão é gerido pelo secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ex-rival interno de Serra e provável candidato a sucedê-lo no governo paulista.

A Agência de Fomento Paulista - Nossa Caixa Desenvolvimento é vinculada apenas ao governo paulista e surgiu com a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil no ano passado, em uma operação no valor de mais de R$ 5 bilhões que gerou críticas internas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor do negócio, por reforçar o caixa daquele que será o principal adversário de sua candidata à sucessão, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

A movimentação ambiental vem na esteira do anúncio de novembro, quando Serra assinou uma lei que estabelece como meta a redução de 20% da emissão de gases de efeito estufa no Estado até 2020. Informado às vésperas da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em Copenhague, o anúncio foi visto como uma tentativa de se contrapor ao governo federal, que até então não tinha fixado objetivos de diminuição das emissões. Mais tarde, o Brasil levou à Dinamarca uma proposta de reduzir as emissões em até 38,9%.

Também na pauta
Um interlocutor de Serra disse ao UOL Notícias que além de medidas econômicas para incentivar o cumprimento de metas ambientais, o tucano deverá defender na campanha presidencial a aplicação em todo o país de outras medidas previstas pelo governo de São Paulo.

Entre essas, estão o fim dos lixões a céu aberto, a criação de áreas de proteção no litoral e o combate ao consumo de madeira ilegal. “São iniciativas estaduais que o governador adotaria se estivesse na Presidência”, disse ele.

Outra iniciativa paulista que poderia ser estendida – “mas sem deixar de considerar as especificidades locais”, segundo o interlocutor – é a política para matas ciliares, que abrange a vegetação às margens de rios e mananciais.

A decisão de reflorestar áreas sensíveis motivou em 2007 a criação de um cadastro de áreas disponíveis, que centraliza informações sobre donos de terras interessados no reflorestamento e ONGs dispostas a coordenar ações locais. “A realidade brasileira é mais complexa do que a de São Paulo, mas isso poderia ser adaptado”, afirmou o interlocutor.

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