DEM não sinaliza interesse em ocupar o comando do governo do DF

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

É correta a eleição indireta para escolher o novo governador do DF?

Após a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal de cassar o mandato do governador afastado e preso José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) por infidelidade partidária, as principais lideranças do Partido Democratas não esboçam nenhum esforço em manter a legenda no comando do DF.

“O partido resolveu não pedir o mandato e não temos um diretório regional neste momento”, justifica o presidente nacional do DEM, o deputado federal, Rodrigo Maia (RJ).

Diante das sucessivas denúncias de envolvimento de servidores e filiados no escândalo de corrupção, que ficou popularmente conhecido como mensalão do DEM, o diretório regional acabou se “autodissolvendo” no último dia 24 de fevereiro.  


Desde então, quem responde pelo partido na região é o senador Marco Maciel (PE), responsável por encaminhar à Executiva Nacional os nomes para a formação de um novo diretório. Por meio de sua assessoria de imprensa, Maciel disse que não irá falar sobre o assunto enquanto não cumprir a missão que a chapa delegou a ele.

É unânime entre os correligionários entrevistados pelo UOL Notícias a tranquilidade para aguardar a decisão judicial antes de qualquer movimentação da legenda que comandava o governo do DF. “O partido tem que aguardar a decisão final da Justiça, já que o caso deve ir ao TSE”, destacou o vice-presidente nacional, o deputado federal ACM Neto (BA).

“Em tese, o mandato seria do partido, mas o mandato não é do partido. Na verdade, não há sucessão natural do partido para esta posição. Então, eu diria que o mandato, hoje, é da Câmara Legislativa do Distrito Federal”, explica o líder na Câmara dos Deputados, Paulo Bornhausen (SC).

A falta de interesse na questão se deve à estratégia disseminada de desvincular a imagem da legenda com os escândalos de corrupção.

“O Democratas esteve neste episódio até o momento da instalação da comissão que iria expulsar o governador do Distrito Federal, que acabou sendo surpreendida pela sua desfiliação. A partir de lá, o Democratas não tem tido nenhum tipo de atuação direta sobre o tema”, afirma Bornhausen.

“Nós fizemos a nossa parte, que é a parte política. Arruda já está desfiliado, assim como Paulo Octavio (ex-vice-governador e ex-presidente do DEM-DF) e Leonardo Prudente (ex-presidente da Câmara Legislativa). Agora, a Justiça vai fazer a dela”, defende o líder no Senado, José Agripino.

Com a aprovação de uma emenda à Lei Orgânica do DF, a Câmara Legislativa encaminha a sucessão para as eleições indiretas. E, de acordo com Rodrigo Maia, apesar do partido ainda não ter nenhum candidato, o tema deve ser debatido nos próximos dias entre os membros da legenda.

Questionado se ele daria apoio a deputados distritais para ocupar o mandato “tampão” (só até o fim do ano), Maia desconversou. “Nós vamos discutir muito isso para que não haja nenhuma avaliação precipitada. Mas é uma questão que deve ser validada nos próximos dias”, disse.



 

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