Mesmo com chuva, ato contra emenda reúne 100 mil pessoas; Cabral agradece "amor ao Rio"

André Naddeo*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, abusou do tom ufanista para agradecer as cerca de 100 mil pessoas que, mesmo sob a chuva constante, estiveram no evento organizado nesta quarta-feira (17) na Cinelândia, centro da capital do Estado.

Assista o vídeo da passeata no Rio:

Após o ato público contra a emenda aprovada na Câmara dos Deputados que modifica a distribuição de royalties do pré-sal e, em tese, desfavorece Estados e municípios produtores, Cabral disse que o comparecimento do público foi uma demonstração de “amor ao Rio”.

“O Rio nunca reclamou de ter deixado de ser capital. E Brasília recebe mais recursos do que nós. São recursos de cariocas, mineiros, paulistas. É mais do que nós cariocas recebemos de royalties, por exemplo”, reclamou o chefe do Executivo estadual, em entrevista coletiva após o protesto.

Cabral deu uma explicação para a falta de discursos durante a manifestação – apenas o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se pronunciou. Segundo o governador, a ideia foi do capixaba Paulo Hartung, que sugeriu que apenas um político falasse, para que não houvesse uma “discursseira”.

Apesar de ter sido um dos principais apoiadores do ato, Cabral participou da passeata apenas do meio para o fim. A justificativa do político era de que sua presença desde o início poderia “criar confusão”.

Mais de 4.700 policiais foram deslocados para garantir a segurança do evento, que contou com a participação de artistas, escolas de samba, personalidades do esporte e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), todos animados por diversos trio-elétricos.

Para atrair mais manifestantes, Cabral decretou ponto facultativo do funcionalismo estadual a partir das 16h, assim como o prefeito. Por conta disso, o trânsito no Rio se complicou perto do horário do protesto.

Prefeitos reclamam
Carlos Augusto Balthazar (PMDB), prefeito de Rio das Ostras, município com 96 mil habitantes foi um dos primeiros a falar. “Os royalties representam 50% do nosso orçamento. Isso é uma afronta, mas tenho confiança de que com essa mobilização vamos reverter esta situação no Senado”, disse.

Caso os senadores não mudem o texto enviado pela Câmara, a expectativa de fluminenses e capixabas é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete a nova distribuição dos royalties.

Marquinhos Mendes (PSDB), prefeito de Cabo Frio, com 200 mil habitantes, afirmou: “Os royalties representam 60% do orçamento. Você imagina a situação. Você tem R$ 100 para administrar a sua casa e, da noite para o dia, você tem só R$ 40. Se assim permanecer, vou ter que fechar hospitais, escolas, vai ser um caos”.

 

*Com informações do UOL Notícias, em São Paulo, e da Folha Online

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