Fim da corrupção passa pela lei de financiamento de campanhas, diz Ricupero

Rafael Spuldar

Do UOL Notícias <br> Em São Paulo

Entrevista com Rubens Ricupero

  • Ricupero defende mais rigor nas penas à corrupção

O diplomata e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente Rubens Ricupero vê a reforma da legislação sobre o financiamento de campanhas eleitorais como um dos fatores que poderiam acabar, ou pelo menos diminuir, com a corrupção no país. Ricupero, em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, afirma também que as penas para casos de corrupção no Brasil são muito brandas, em especial envolvendo políticos, os quais são, segundo ele, praticamente incapazes de ser punidos.

O ex-ministro acredita que uma lei ideal para o financiamento das campanhas deve equilibrar dois elementos: de um lado, impossibilitar que o poder econômico abusivo de uma candidatura esmague os concorrentes apenas na base do dinheiro, e de outro, exigir que exista uma transparência "absoluta" na origem das doações. Na opinião de Ricupero, uma boa legislação que regulamente os recursos de campanhas seria um ponto de partida para resolver a questão da corrupção na política brasileira. "(O financiamento dos candidatos) não é toda a história, mas é parte da história", diz.

Sobre a punição aos corruptos, Ricupero usa os Estados Unidos como um exemplo a ser seguido em termos de rigor. Para o ex-ministro, casos como o do norte-americano Bernard Madoff – condenado a 150 anos de cadeia por montar um esquema fraudulento de pirâmide junto a investidores – seria inconcebível no Brasil, pela rapidez em sua condenação e pelo tamanho de sua pena. Ele critica o fato do governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, estar detido em uma sala da Polícia Federal (PF) em Brasília. "Nos Estados Unidos, isso seria uma brincadeira. Ele estaria algemado e preso em uma cadeia comum", afirma.

Quanto às eleições presidenciais de outubro, Ricupero vê o quadro ainda como indefinido. O ex-ministro diz que os números das pesquisas eleitorais ainda são enganosos, por não representarem, segundo ele, intenções de voto, e sim "reconhecimento dos nomes" na disputa. Ele destaca sua amizade com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e com a senadora Marina Silva (PV-AC), ressaltando que a plataforma dos candidatos para o meio ambiente será decisiva para a escolha de seu voto.

Ricupero lançou na última terça-feira (16) seu livro Diário de Bordo – A Viagem Presidencial de Tancredo Neves, no qual relata o giro internacional feito em 1985 pelo então presidente eleito, do qual era assessor para assuntos internacionais.

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