Lula diz que quer economia sem brincadeira e governo separado de eleições

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (24) que nem a economia nem a administração pública podem ser afetadas pelas eleições deste ano. O mandatário reiterou críticas à imprensa e prometeu tranquilidade na reforma ministerial dos próximos dias, quando vence o prazo para membros do Poder Executivo deixarem o cargos para participarem da votação de outubro.

Em discurso durante evento em Brasília para tratar do programa social "Territórios da Cidadania", Lula foi aplaudido por funcionários públicos, que gritaram o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. O provável adversário da petista na disputa é o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“O governo não pode parar. Eu quero separar as eleições da atuação do governo. Os ministros têm tarefas a cumprir. E se todo mundo resolver abandonar o barco, a gente termina o ano sem cumprir os compromissos que nós assumimos. O compromisso sagrado nosso é não parar de governar este país por conta das eleições”, afirmou Lula.

“Não podemos brincar com a economia, nós não temos o direito de brincar com a economia. Nós não vamos brincar com a estabilidade econômica, ela tem que ser mantida. A questão fiscal tem que ser cuidada com seriedade, com muita seriedade. E a inflação tem que ser controlada”, completou o presidente.

Entre os cotados para deixar o governo, está o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, homem de confiança do setor financeiro e que pode buscar uma vaga no Senado pelo Estado de Goiás ou ainda ser companheiro de chapa de Dilma, indicado pelo PMDB – que está mais inclinado a apontar seu presidente, o deputado federal Michel Temer (SP).

Recentemente, Lula pediu a representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que mantenham os investimentos e não deixem o ano eleitoral tumultuar as perspectivas de crescimento do PIB brasileiro. O presidente prometeu fazer o mesmo em reuniões com outros grupos de empresários.

Sobre a provável saída de ministros nos próximos dias, Lula afirmou que “não vai ter nervosismo desta vez”, uma vez que a tendência na maioria dos ministérios é de indicar os secretários-executivos das pastas.

Imprensa
O presidente fez um dos mais duros ataques recentes à imprensa brasileira, ao dizer que ela trabalha “de má-fé”. “É triste quando a pessoa tem dois olhos bons e não quer enxergar. Quando a pessoa tem direito de escrever a coisa certa e escreve a coisa errada. É triste, melancólico, para um governo republicano como o nosso”, afirmou.

Lula afirmou que quem acompanhar a história do Brasil atual daqui 30 anos pelas manchetes de jornais “vai estudar uma grande mentira, quando na verdade ele poderia estudar a verdade do que aconteceu neste país”. “Quando o cidadão quer ser de má-fé, não tem jeito”, disse, sem dar nome aos veículos de imprensa que considera ruins.

“Eles sabem o que está acontecendo no país. Se não quisessem saber pelos olhos, saberiam pelas pesquisas de opinião pública. Ainda assim não querem saber. A única coisa para vencer isso é trabalhar”, afirmou.
 

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