Dilma diz que PAC é "show de competência" e ataca críticos

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

A pré-candidata do PT à Presidência da República e ministra-chefe de Casa Civil, Dilma Rousseff, refutou nesta sexta-feira (26) os críticos do Programa de Aceleração do Crescimento e afirmou que a iniciativa, que terá sua segunda etapa lançada na próxima semana, é necessária para o desenvolvimento do país.

Durante evento de inauguração do Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste) em Itabuna, no Sul da Bahia, Dilma afirmou que a iniciativa serve para integrar o país de forma diferentes, “já que antes isso aconteceu de costas para a Bahia, para o Nordeste”. “Demos um show de competência aqui. Foram 151 travessias nos rios e 88 passagens em estradas, passagens em ferrovias. Essa capacidade estamos demonstrando em todas as áreas”, afirmou.

“Dizem por aí que o PAC é uma ficção. Não é uma ficção. O Gasene prova isso. É uma obra necessária para o país e necessária para o Sul da Bahia”, disse a ministra, criticada por oposicionistas aliados a seu provável adversário nas eleições de outubro, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Antes de começar esse gasoduto diziam para nós que o Brasil não vai ter gás suficiente para abastecer todas as necessidades. Mostramos hoje que não só conseguimos, mas hoje existe gás para ser usado imediatamente. Sabemos que o Gasene é histórico porque é um dos caminhos dessa integração”, afirmou.

A ministra lembrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao fazer um comentário grandiloquente que provocou palmas da platéia, composta por funcionários da obra, feita em parceria com a chinesa Sinopec. “Vou ser ousada e dizer que fomos nós que criamos mais empregos nos últimos tempos no mundo”, disse ela, citando dados divulgado pela revista inglesa "The Economist".

Gasoduto ideológico
Em seu discurso, Lula afirmou que a decisão de fazer parceria com os chineses foi votada “pela primeira e última” vez pelo núcleo duro de seu governo em 2004, do qual também fazia parte o atual governador baiano, Jaques Wagner, então ministro. “A decisão de fazer esse gasoduto com a China foi ideológica. Já tínhamos estudo e trabalho avançado com o banco japonês para financiar a obra”, disse.

“Na Granja do Torto, fomos discutir se faríamos parceria com China ou com o Japão. Nós entendíamos que era necessário se aproximar da China e construir uma parceria estratégica. Foi a única vez, a primeira e última, que fiz uma votação no ministério. A China ganhou por quatro a dois e nós fizemos a parceria com a China”, revelou.

Ao comentar sobre os parceiros asiáticos, Lula fez piada. “Os chineses não são fáceis. Você vê a cara do embaixador, é muito simpática. Mas chinês é duro na negociação. Os cabras são duros. Eles realmente negociam com a alma, com o pé, com o coração e são duros na queda. Acontece que encontraram a Petrobras, que não fica devendo nada a nenhum chinês”, disse.

O gasoduto tem 1.387 km e capacidade para transportar 20 milhões de metros cúbicos dia de gás natural, indo do Rio de Janeiro à Bahia. No começo da operação, o Gasene parte com capacidade de transporte de 10 milhões de metros cúbicos dia, que deverá aumentar conforme o crescimento do mercado. O investimento feito na obra supera os R$ 7 bilhões e, segundo dados oficiais, gerou 47 mil empregos diretos e indiretos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos