Vaccari nega pagamentos da Bancoop a partidos políticos

Camila Campanerut

Do UOL Notícias<br>Em Brasília

Atualizada às 15h18

O tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), João Vaccari Neto, negou nesta terça-feira (30) que a cooperativa tenha feito pagamentos a campanhas do PT. Ele foi um dos quatro convidados a participar da audiência publica conjunta das Comissões de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle e Direitos Humanos e Participação Legislativa do Senado Federal.

“Não houve superfaturamento na Bancoop. Não houve contribuição para partidos políticos”, disse Vaccari, sobre a suspeita de participar de um suposto esquema de desvio de verba da cooperativa, investigado pelo Ministério Público de São Paulo.

“Não houve superfaturamento e, portanto, não houve desvio”, afirmou o advogado da cooperativa, Pedro Dallari, que também aproveitou para criticar a postura do promotor de Justiça José Carlos Blat, que apresentou a denúncia contra a cooperativa. “Lamentável que o promotor não tenha a mesma disposição para falar aqui, e na Justiça, como tem para falar com a imprensa”, completa Dallari.

Para a reunião, solicitada pelo senador tucano Álvaro Dias (PR) também foram convidados também o promotor e o corretor de câmbio, Lúcio Bolonha Funaro.

O promotor José Carlos Blat não compareceu, mas encaminhou aos parlamentares um ofício, justificando sua ausência por ter um exame médico marcado para esta tarde em São Paulo. Blat está em tratamento de combate ao câncer desde 2008. Já Funaro não justificou sua ausência, segundo o presidente da comissão de Meio Ambiente, senador Renato Casagrande (PSB-ES).

”Não me sinto constrangido em ter que ouvi-lo aqui, mas também deve ser ouvido na CPI das ONGs, da qual ele deve falar. Precisamos exaurir esse assunto, e isso dificilmente vai acontecer no âmbito dessa comissão”, voltou a defender o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Entenda o caso Bancoop
O Ministério Público do Estado de São Paulo investiga desde 2007 um suposto esquema de desvio de verba da Bancoop. O caso está sob comando do promotor José Carlos Blat, responsável por crimes de formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

A análise de documentos e transações bancárias, relativos ao período de 2001 a 2008, levaram Blat a crer que o dinheiro desviado das obras teria sido destinado ao caixa 2 de campanhas eleitorais do PT, em 2002, num rombo que ultrapassaria R$ 100 milhões. Cerca de 3.000 famílias cooperadas não receberam seus imóveis.

Blat entrou com uma ação, em março deste ano, pedindo as quebras de sigilo fiscal e bancário de João Vaccari Neto e de outros cinco ex-dirigentes, bem como o bloqueio das contas da entidade.

Vaccari Neto, o PT e a atual direção da Bancoop negam as acusações e afirmam que a investigação foi "requentada" de um fato antigo que já foi esclarecido. Para Vaccari Neto, o promotor deveria ter feito as denúncias à Justiça e não à imprensa - ele se refere à reportagem da revista "Veja", que tornou pública a investigação do MP.

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