CGU aponta aumento de 350% em repasse do DF para empresas investigadas; indícios de desvio ultrapassam R$ 100 mi

Camila Campanerut*
Do UOL Notícias

Em Brasília

Atualizada às 17h30

O ministro-chefe da CGU (Controladoria Geral da União), Jorge Hage, anunciou nesta segunda-feira (5) que seis empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, tiveram aumento de repasse da ordem de 350% de verbas do DF em 2008 e 2009, na comparação com os dois anos anteriores. A operação da PF investiga o pagamento de propinas para servidores e prestadores de serviços do governo do Distrito Federal, conhecido como mensalão do DEM. 


“O volume de recursos recebidos não é apenas aquele que corresponde aos ilícitos detectados no inquérito. Essas empresas já receberam nesse período valores bem maiores, e há um dado que chamou a nossa atenção: o crescimento da destinação de recursos para essas empresas. Em 2006, elas receberam R$ 26 milhões, no ano seguinte R$ 30 milhões, e em 2008, R$ 131 milhões. Isto não significa necessariamente que haja irregularidade em todo esse dinheiro. Mas há apontamentos da Polícia Federal de que há irregularidades. Acende-se uma luz vermelha que vai exigir maior aprofundamento”, disse.

As empresas citadas são Adler, Empresa G6, Info Educacional, Instituto Sangari, Juiz de Fora, Linknet e UniRepro.

A análise é resultado da primeira parte da auditoria da CGU sobre os repasses do governo federal ao governo, em decorrência da investigação da Polícia Federal. O trabalho foi realizado entre 15 de dezembro e 31 de março, por uma equipe de 80 analistas.

A auditoria da CGU identificou 177 irregularidades em contratos, após a fiscalização de 21 órgãos, entre secretarias e autarquias, vinculadas ao governo do DF. A auditoria aponta indícios de desvio de recursos que ultrapassam R$ 100 milhões.

“Eu classifico como grave a situação do Distrito Federal (...) porque num período relativamente curto de dois, três meses de trabalho, encontramos problemas em praticamente todas as áreas”, avaliou Hage.

Mais cedo, o documento foi entregue ao presidente Lula pelo próprio ministro. “A reação do presidente Lula foi a mesma que a nossa: preocupação com a gravidade da situação. Nós dissemos a ele que os próximos passos são o aprofundamento do trabalho e o encaminhamento ao Ministério Público e a Polícia Federal”, explica Hage.

O ministro-chefe da CGU pediu uma reunião com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, para solicitar a abertura de novos inquéritos pela Polícia Federal para apurar as irregularidades. Um exemplo, citado pelo ministro, que requer novas investigações, além da Operação Caixa de Pandora, está na área de educação.

Irregularidades
As áreas do DF com mais irregularidades foram a de educação, saúde e obras. Na área de educação, foram repassados R$ 320,7 milhões às seis empresas citadas na Operação Caixa de Pandora.

Na saúde, Hage informou que os proprietários de três das cinco maiores empresas fornecedoras de medicamentos ao governo têm vínculos familiares ou societários com a Linknet, uma das empresas citadas no inquérito da Caixa de Pandora. Além disso, a CGU chamou a atenção ao grande volume de recursos paralisados (R$ 320 milhões), aplicados no BRB (Banco Regional de Brasília), enquanto os hospitais públicos da região sofrem de falta de investimentos. Foram encontrados irregularidades em contratos relativos a uso de ambulâncias, tratamento renal (hemodiálise), pagamento de serviços de UTIs e em reformas em unidades de saúde.

E em obras, a CGU recomendou a rescisão do contrato no valor de R$ 4,8 milhões entre a Novacap e KBA Engenharia Ltda., incluindo a restituição de valores já pagos. Isso porque o órgão avaliou que a contratação dos serviços era desnecessária. O CGU avaliou que a concorrência vencida pela KBA “teve claros indícios de restrição à competitividade”.

A auditoria apurou que um dos sócios da empresa foi empregado da Caixa Econômica Federal, quando ocupou o cargo de gerente geral da Gidur/DF (Gerência de Desenvolvimento Urbano – Engenharia do governo do Distrito Federal). De lá, atuou em outra empresa ligada ao governo, a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do DF). “Evidente, assim, o direcionamento da licitação. Além disso, a KBA tem apenas seis empregados, dos quais somente um é engenheiro”, diz o relatório.

Também foram identificados problemas em obras de urbanização de assentamentos precários, no metrô e nas rodovias BR-020 e BR-060.

*Com informações da Agência Brasil

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos