Jobim deve entregar a Lula decisão sobre compra de caças na semana que vem

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira (7) que deve entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana, uma decisão sobre a compra dos 36 caças para compor a frota da FAB (Força Aérea Brasileira).

“Vou fazer uma exposição de motivos e expor tudo ao presidente. Não cabe mais adotarmos o modelo antigo [de o presidente dar a palavra final após relatório com os prós e contras das três opções]. O Ministério da Defesa tem o dever de dar uma opção”, justificou.

Conheça os concorrentes

O negócio pode chegar a US$10 bilhões. O país tem como opções as aeronaves francesas Rafale da Dassault , as suecas Gripen da Saab e os americanos F-18 Super Hornet da empresa Boeing.

O ministro não quis expor sua decisão antes de apresentá-la oficialmente ao presidente, mas adiantou que irá se basear nas análises já entregues pela FAB e pelas Secretarias de Logística e de Políticas Estratégicas. Caberá a Lula autorizar o início das negociações dos contratos, obedecendo parâmetros que serão fixados pelo governo federal brasileiro.

Jobim argumentou que a transferência total de tecnologia e a valorização dos interesses do Programa de Defesa Nacional serão os fatores de maior peso para a escolha. Assim como a última audiência em que Jobim esteve presente no Congresso, o ministro voltou a sinalizar que os caças franceses possuem mais chance de serem os escolhidos.

O ministro citou, baseado nos levantamentos elaborados sobre as aeronaves, que tanto o governo francês quanto a companhia daquele país se comprometeram a fazer a transferência total de tecnologia. Além disso, todas as peças das aeronaves são francesas, o que é um elemento a mais e que agrega de forma positiva para esta opção. Diferentemente da alternativa sueca, cujas peças dos aviões, segundo o ministro, são produzidas nos Estados Unidos, em países europeus e africanos. A Saab teria deixado a cargo do Brasil a negociação com cada um destes fornecedores. Já sobre os equipamentos norte-americanos, Jobim destacou que a Boeing assegura toda a transferência. Já o governo daquele país, não.

Mais uma vez, Jobim defendeu que “o Brasil não é comprador líquido de equipamentos”, como se fazia no passado quando eram adquiridos produtos ultrapassados por preço baixo de outros países.

Operação investigada

Apesar de o governo ainda não ter definido a compra, o Ministério Público Federal irá investigar as condições de aquisição que supostamente representariam uma “ofensa ao princípio de economicidade”. O inquérito foi instaurado em 30 de março pelo procurador José Alfredo de Paula Silva, com base na representação do cidadão Vinícius Vasconcelos.

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