PSDB festeja candidatura de Serra em meio a dúvidas sobre engajamento de Aécio

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Nathália Turcheti/Agência Solo

    Serra quer, mas Aécio titubeia por vaga de vice

    Serra quer, mas Aécio titubeia por vaga de vice

Cerca de 3.500 pessoas devem acompanhar neste sábado (10) em Brasília o ato de lançamento da pré-candidatura de José Serra à Presidência da República. A festa entre as 9h e as 13h reunirá líderes de partidos e militantes que ajudarão a apontar o tom da campanha oposicionista neste ano. As dúvidas sobre o papel do ex-governador Aécio Neves na disputa, no entanto, devem persistir.

Serra lidera as pesquisas de intenção de voto, mas a trajetória ascendente da petista Dilma Rousseff, ex-ministra-chefe da Casa Civil, faz tucanos defenderem a entrada de Aécio na chapa presidencial. Até o fim do ano passado, ele disputava internamente com o ex-governador de São Paulo a candidatura à Presidência. O mineiro resiste, diz que é candidato ao Senado, mas sinalizou que pode rever a posição.

Se a festa da pré-candidatura de Serra já era esperada, em meio ao ritmo desacelerado do tucano, a incorporação de Aécio à lista de oradores é novidade. Inicialmente, tucanos afirmaram que apenas os presidentes de partidos falariam no ato da pré-candidatura oposicionista. Fernando Henrique, que não compareceu ao Palácio dos Bandeirantes para o último discurso de Serra no governo, foi incluído entre os oradores na semana passada. Aécio, apenas nesta semana.

O movimento de trazer o ex-governador de Minas serve para atenuar o afastamento dele em relação ao presidenciável. Lideranças do PSDB dizem que durante o evento não deve haver faixas nem coros para pedir para que o neto do ex-presidente Tancredo Neves seja candidato a vice. Nos bastidores, porém, a pressão deve aumentar. Serra já deu seu aval para isso.

Na quarta-feira, Aécio foi criticado por tucanos paulistas por não ter repelido comentários de Dilma durante sua visita a Minas Gerais. A ex-ministra-chefe da Casa Civil visitou o túmulo de Tancredo, em um roteiro incomum para membros do PT, e admitiu que mineiros poderiam votar nela para a Presidência e no oposicionista Antonio Anastasia para o governo estadual. No dia seguinte, Anastasia foi a público para reforçar apoio a Serra. Mas o próprio Aécio nada disse até a sexta-feira (9).

Organização e confronto
As mídias sociais também marcarão o encontro dos oposicionistas em favor de Serra. "O evento promete ser o primeiro passo para uma grande inovação na política brasileira, principalmente, com o uso da internet como forma de interação com o público", diz um texto sobre o assunto no site do PSDB. "Foram disponibilizados 20 computadores para comentários da militância em redes sociais como Twitter, Orkut, Facebook e You Tube."

A mestre de cerimônia do evento deve ser a modelo Ana Hickmann, que é também apresentadora na "TV Record". O PSDB espera gastar cerca de R$ 500 mil no evento, que será financiado com recursos dos próprios partidos oposicionistas.

No início do mês, Aécio rejeitava vice

Pela ordem, discursarão antes do pré-candidato os presidentes de PPS, DEM e PSDB, Aécio, em nome dos governadores oposicionistas, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em seguida será exibido um vídeo sobre a trajetória de Serra e sobre os desafios do país. Finalmente, por volta do meio-dia, falará o presidenciável, provável adversário da petista Dilma Rousseff nas eleições de outubro.

Os presidentes Roberto Freire (PPS), Rodrigo Maia (DEM) e Sergio Guerra (PSDB) terão cerca de 10 minutos para falar. Eles deverão fazer duras críticas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aécio e FHC devem ter mais liberdade para falar. Todos, no fim, terão construído uma plataforma para o discurso final do ex-governador de São Paulo. Quando isso acontecer, o tucano avisará pelo microblog Twitter, onde tem cerca de 190 mil seguidores.

Segundo a organização do evento, uma sala paralela à que receberia 2 mil pessoas teve de ser alugada para suprir o número de interessados em comparecer. Isso praticamente dobrou a expectativa de número de presentes. Não haverá uma mesa de autoridades no evento, e sim um púlpito, onde cada um dos escolhidos falará.

Enquanto os tucanos e seus aliados estiverem no evento em Brasília, entre as 9h e as 13h, Lula e Dilma deverão participar de um ato com centrais sindicais em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, por volta do mesmo horário. Tanto o evento tucano como o petista serão transmitidos nos sites dos partidos na internet.

A homologação das candidaturas só ocorrerá em junho, após as convenções dos partidos, como diz a lei eleitoral. Apenas a partir desse mês os partidos podem fazer seus encontros para definir quem disputará que cargo nas eleições de outubro.

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