Campanha do PSDB quer mostrar que desenvolvimento atual é herança tucana

Camila Campanerut
UOL Notícias
Em Brasília

“Quero ser o presidente da União. O Brasil pode mais, conquistará mais”, encerrou emocionado o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto para as eleições de outubro, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos (...). E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso país. Nós podemos nos orgulhar disso”, destacou Serra em seu discurso em evento que, mobilizou mais de 2.000 pessoas em Brasília na manhã deste sábado(10).

O encontro apresentou o tom da campanha do pré-candidato e contou com a presença e os discursos dos seus principais aliados DEM, PPS e ainda algumas personalidades do PMDB.

Quem também reforçou a idéia de que a atual "bonança" do país é herança tucana foi o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. "Quero reconhecer virtudes no presidente Lula, uma acima de todas as outras, é que ele manteve absolutamente inalterada a política econômica do governo FHC, disparou.

Último a subir ao palco, Aécio foi ovacionado pelo público que o chamou de "vice". O mineiro disse que deixou de lado sua pretensão em sair candidato como à presidência pelo partido e que dará todo apoio a Serra durante a corrida eleitoral.

No entanto, persiste a indefinição para o cargo de vice, que será avaliado pelo partido e aliados, que como o DEM, abriria mão do cargo em prol de Aécio.

“O Brasil não foi descoberto em 2003, como quer fazer acreditar a candidata petista”, afirmou o presidente nacional do DEM, o deputado federal Rodrigo Maia, que também defendeu que o governo federal está usando recursos públicos para a “fabricação de uma candidata” e que o PT “é conivente com a corrupção”, que ocorre no país.

A defesa da ética também foi a base da maioria das falas do encontro; “Quanto mais mentiras os adversários falarem sobre nós, mais verdades falaremos sobre eles”, desafiou Serra.

“O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma 'boquinha'; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida”, disse o pré-candidato, que deu destaque ao mérito para conquistas em referência à indicação e inchaço de órgãos públicos.

Clima

Atrasado em quase duas horas, o evento teve como mestre de cerimônias a modelo Ana Hickmann, que tentou acalmar o público que, no início da solenidade, invadiu o palco lado a lado com grandes figurões da oposição.

“As nossas expectativas eram outras, muito mais modestas. A estrutura que nós montamos foi quebrada. Perdoem, então, por eventuais desacertos, fizemos o que estava em nossa altura”, justificou o senador pernambucano, Sérgio Guerra, que também coordena a campanha de Serra.

Diferentemente do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a convicção de Guerra é de que esta será uma disputa bastante difícil. “Não tem essa história de São Paulo contra o Brasil nem contra o Nordeste. Não tem isso no nosso povo. O povo não reconhece isso e nem dá importância para isso”, avaliou o parlamentar tucano.