Dilma e Lula ironizam slogan tucano e prometem campanha dura

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Bernardo do Campo (SP)

  • Eliária Andrade / Agência O Globo

    A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, durante seu discurso em São Bernardo do Campo (SP)

    A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, durante seu discurso em São Bernardo do Campo (SP)

Atualizado às 16h15

Em um evento organizado para se contrapor ao lançamento da pré-candidatura de José Serra ao Palácio do Planalto pelo PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenciável petista, Dilma Rousseff, ironizaram neste sábado (10) o slogan oposicionista de que “o Brasil pode mais” se eleger o ex-governador em vez ex-ministra-chefe da Casa Civil.

Indicando o acirramento da disputa, Dilma e Lula usaram termos como “viúvas da estagnação” e “exterminadores do emprego e do futuro” para se referir aos adversários. A ex-ministra prometeu que a campanha para as eleições de outubro será “dura, mas apenas no campo político” e repetiu que “não me verão usando métodos condenáveis para ganhar ou perder”. O presidente disse que a disputa será “em alto nível”.

Seis centrais sindicais, entre elas as duas maiores, CUT e Força Sindical, organizaram o ato que, em meio a elogios ao governo Lula, focou ataques em Serra, no ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves e no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os três foram os principais oradores no evento realizado em Brasília para festejar a pré-candidatura tucana mais cedo.

No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, berço político de Lula, o presidente reforçou o caráter plebiscitário que desejou ver nas eleições deste ano e destilou ironias repetidamente contra o slogan tucano. “Eles querem e nós fazemos. Essa é a diferença substancial”, disse Lula, que acusou os adversários de se inspirarem na campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para seu mote eleitoral.

O presidente disse ainda que “Dilma não será a candidata da defesa de teses abstratas, será a candidata de auto-afirmação. Se eles dizem o Brasil pode mais, nós fazemos mais”. A pré-candidata usou a mesma referência em seu discurso: “Esse país pode mais porque nós fizemos com que ele pudesse mais”, afirmou, enquanto era aplaudida por cerca de mil pessoas vinculadas a sindicatos.

Para amenizar a imagem de Dilma, considerada rígida por colegas de governo e autoritária por adversários, Lula a comparou “a uma mãe que quer justiça”. “Ela tem a dureza que tem a nossa mãe de tratar todo mundo com a mesma condição”, comparou.

Debate com movimentos
Dilma afirmou que sua visita ao sindicato do ABC serviu para reforçar seu compromisso com os movimentos sociais. Em alusão ao ex-governador de São Paulo, afirmou que “democrata que se preza não ataca movimentos sociais”, pouco depois de citar como justas as reivindicações de policiais e professores, entre outros profissionais.

Durante seu mandato, Serra teve de lidar com uma greve da Polícia Civil que acabou em confronto com policiais militares nas imediações da sede do governo paulista e, no fim do mandato, enfrentou uma greve de professores que considerou política, uma vez que a presidente da entidade é filiada ao PT. 

Lula também criticou a posição de Serra por não conversar com professores grevistas da rede de ensino paulista. “Não é possível querer harmonia na sociedade se a gente não atende as reivindicações”, disse.

O presidente disse também que, no mês passado, o então governador paulista pediu a ele que mediasse a crise com os professores. Lula disse que os grevistas esperariam apenas ser atendidos pessoalmente por Serra, que teria aceitado. “Qual não foi a minha surpresa saber que no dia seguinte ele viajou e deixou o secretário que já não atendia as reivindicações para tratar do assunto”, afirmou.

Lula afirmou ainda que não deseja ver o Brasil dividido entre PSDB e PT, Norte contra Sul, como indicaram os discursos de vários oposicionistas em Brasília. “Não queremos é deixar a divisão que eles deixaram entre ricos e pobres”, disse. Em seu discurso de pré-candidatura, Serra afirmou que “o nós contra eles não cabe” na eleição nacional.

Aécio e FHC

Lula atacou o ex-governador de Minas Gerais, que em seu discurso defendeu a privatização de empresas estatais durante o governo Fernando Henrique. “Foi o momento mais auspicioso do evento deles, cheio de aplausos”, ironizou.

“Não quero esses aplausos. Não é que seja um estadista, mas se não fosse o Estado brasileiro nós teríamos sucumbido na crise econômica do ano passado”, disse o presidente, citando números do aumento do crédito no país como resposta mais eficiente à turbulência econômica, e não a venda de bancos estatais, como a Nossa Caixa, em São Paulo.

Além da crítica ao principal adversário, Dilma também atacou o ex-presidente Fernando Henrique, um dos principais líderes tucanos e grande crítico de sua candidatura à Presidência. “Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que eu falei ou escrevi”, disse ela em referência a um comentário feito por FHC durante seu governo.

A ex-ministra disse ainda que antes de dizer o que fará se eleita, contaria quais decisões nunca tomaria, em mais uma alusão à gestão presidencial do PSDB. “Eu não entrego o meu país. Não vou destruir o Estado, empresas públicas. Não apelo. Não fujo da situação quando ela fica difícil”, resumiu.

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