Serra foi imbatível na disputa com Aécio por candidatura, diz tucano

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

A candidatura de José Serra à Presidência da República pelo PSDB nunca correu risco, apesar da disputa interna com o mineiro Aécio Neves. É essa a avaliação do deputado Walter Feldman, um dos políticos mais próximos do ex-governador de São Paulo e um dos articuladores do tucano no Estado, em entrevista ao UOL Notícias.

No sábado, Aécio discursou no lançamento da pré-candidatura de Serra ao Palácio do Planalto. Tucanos desejam vê-lo como vice na chapa encabeçada pelo paulista. O mineiro resiste e diz preferir uma disputa ao Senado, mas já sinalizou que pode rever sua posição. O Democratas, antigo aliado do PSDB, diz que abre mão da candidatura a vice apenas se for em favor do ex-governador de Minas Gerais.

Para Feldman, ex-secretário das Subprefeituras de São Paulo na gestão municipal de Serra e homem forte até o início do mês na administração de Gilberto Kassab (DEM), “a candidatura Aécio foi muito respeitável, mas dentro do PSDB nunca se imaginou que isso poderia retirar o Serra de cena porque há no partido um sentimento de fila, de história decantada, de momento”. Ele defende que o mineiro seja vice de Serra.

“Desde o início nós sabíamos que o Serra era imbatível nessa disputa interna e que o desejo dele era sempre o de caminhar para no momento adequado ser o candidato. O que houve foram dúvidas mais da imprensa, de nossos opositores”, disse Feldman. “Nunca houve por parte daqueles de certa forma convivem mais com o Serra [a ideia] de que haveria uma vacilação dele ou que uma disputa que pudesse retirá-lo dessa posição de comando da sucessão presidencial.”

Serra lidera as pesquisas de intenção de voto, mas a petista Dilma Rousseff, ex-ministra-chefe da Casa Civil, reduziu a diferença nas últimas sondagens. Enquanto apareceu na disputa, Aécio nunca liderou. Governistas importantes, no entanto, acreditavam que o mineiro poderia ser um rival mais perigoso, uma vez que o ex-governador de São Paulo já foi candidato presidencial e perdeu.

Feldman refutou o argumento de políticos mineiros que atribuem a São Paulo o adiamento de um retorno ao Palácio do Planalto. Na inauguração da Cidade Administrativa do governo mineiro, partidários de Aécio vaiaram Serra e pediram que o neto do ex-presidente Tancredo Neves fosse candidato à Presidência.

"Itamar Franco é mineiro e foi presidente recentemente. Juscelino Kubitschek [foi presidente] há muito menos tempo que Rodrigues Alves, o último presidente que nasceu em São Paulo. É uma visão que o Brasil deveria repelir, discutir origens para ver quem é melhor", afirmou.

O deputado diz que Serra já se achava pronto para disputar a Presidência em 2006 e que se candidatou ao governo paulista para "ganhar musculatura" para as eleições deste ano. Há quatro anos, no entanto, o então governador paulista, Geraldo Alckmin, foi o candidato do PSDB e acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Existia uma candidatura a governador que se encerrrava. Não tínhamos quadros. Aquelas condições do tempo e do calendário político permitiram que o Geraldo avançasse nessa fila", disse Feldman, que teve em 2008 vários atritos com o grupo de Alckmin para manter a aliança Serra-Kassab.

Embate com Alckmin
Na última disputa pela prefeitura de São Paulo, partidários de Alckmin, candidato do PSDB, defenderam a expulsão de Feldman do partido. Diziam que a sigla tem como norte encabeçar chapas para cargos majoritários. Kassab acabou reeleito e o mal estar com o ex-governador só começou a ser superado quando ele se tornou secretário do Desenvolvimento estadual.

"É claro que houve muitos problemas. Pela primeira vez na história o PSDB se divide e apóia uma candidatura que não é do PSDB", lembrou o deputado. "Superamos as divergências da última eleição. A opção de ele ser governador também é boa", afirmou Feldman, que inicialmente defendia a candidatura estadual do ex-secretário da Casa Civil, Aloysio Ferreira Nunes.

Para Feldman, o PSDB entra desta vez com mais chances de ganhar apoio no maior colégio eleitoral do país. E isso porque vive uma situação diferente das últimas eleições. Em 2006, na eleição presidencial, Alckmin contou com apoio pouco entusiasmado de Serra, vencedor já no primeiro turno. Em 2008, o racha entre tucanos e o grupo de Kassab deixou rusgas por muito tempo.

Temor com Dilma
Embora reconheça méritos na provável adversária dos tucanos nas eleições presidenciais, Feldman diz temer a falta de experiência dela como parlamentar. Para ele, essa é uma diferença importante entre a candidatura da petista, surpreendente e incentivada por Lula, e a de Kassab, surpreendente e incentivada por Serra.

"Tenho muito medo dos políticos que vão para cargos no Executivo sem ter passado pelo parlamento. O parlamento é cheio de defeitos. Mas é uma escola de democracia, convívio, de compreensão", disse. O executivo que não passa pelo parlamento tem dificuldade depois, se eleito, de se relacionar. Isso gera crises institucionais que às vezes descambam em acontecimentos que a sociedade não merece. Tenho muito medo de uma candidatura que não tenha tido essa trajetória."

Para o deputado, "Dilma não é nenhuma expressão eleitoral. Ela não tem a bagagem de relações sociais e humanas que a permitam ser dirigente do país. É uma ministra que veio do setor elétrico", diferentemente de Kassab, que foi eleito para mandatos de deputado e que, em 2004, foi candidato a vice na chapa de Serra.

O ex-secretário de Esportes de Kassab diz também que as eleições pendem a favor de Serra porque dois temas estarão no centro da campanha: a estabilidade da economia e a inclusão social, que estão entre as preocupações tanto do governo Lula como no de Fernando Henrique Cardoso.

"Estará em jogo a continuidade de um Brasil diferente. O eleitor vai procurar isso. É diferente da política de oposição a esse governo. Ninguém é de oposição aos 16 anos que mudaram o Brasil. Quem agora tem condição de fazer mais e melhor? Esperamos que o eleitor venha para o nosso lado", afirmou.

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