Partidos da base fecham acordo para reajuste de 7,71% aos aposentados

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Os partidos da base aliada na Câmara dos Deputados, com apoio da base no Senado, fecharam acordo nesta quarta-feira (14) sobre o reajuste para os aposentados. Líderes do PDT, PR, PV, PSB e PSOL concordaram com o reajuste de 7,71% aos aposentados que recebem acima de um salário mínimo. O valor equivale à reposição da inflação mais 80% da variação do PIB, que poderia gerar um impacto de R$ 1,7 bilhão ao ano acima do previsto na medida provisória original.


O índice de reajuste proposto originalmente na medida era de 6,14%. O líder do governo na Câmara e relator do caso, Cândido Vaccarezza (PT-SP), alega que o governo já concedeu aumento real aos aposentados cujos valores inicialmente eram corrigidos apenas pela inflação de 3,45% de fevereiro a dezembro do ano passado.

Vaccarezza disse ainda que o novo acordo não tem sustentação nem viabilidade econômica. “Eu não estou sozinho. Estou com o presidente Lula. Eu não dou de barato que isso vai ser aprovado em 7,7% (...) Eu conversei hoje com os ministros Paulo Bernardo [Planejamento], [Alexandre] Padilha [Relações Institucionais] e Erenice [Guerra, da Casa Civil]. O limite que o governo pode dar é 7%”, justificou Vaccarezza. Lula pode vetar o reajuste.

A mudança de opinião dos deputados, que passaram a apoiar o valor estipulado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), deixou Vaccarezza sem apoio na Casa Legislativa.

“Este é um acordo entre a Câmara, o Senado e todas as federações de aposentados. Ou vota 7,7% ou o parecer do relator será derrubado pela base”, rebateu o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

“As pessoas se guiam, muitas vezes, mais para fazer campanha do que para aprovar alguma coisa sustentável. Todos que vão votar n o 7,7% sabem que não é sustentável (...) Eu também vou disputar a eleição como candidato à deputado federal. Eu poderia aproveitar o momento e dizer: ‘o Lula tem 80% de aprovação, então o Lula que se lixe, ele que vete. Eu sairia aplaudido, mas isso seria irresponsável”, defendeu o deputado petista.

Romero Jucá rebateu. “Eu comuniquei ao Vaccarezza que o posso fazer aqui [no Senado]. Vamos manter em 7,7%. Eu não vou interferir em uma votação de lá [na Câmara]. Eu respeito o limite da realidade. Se o Ministro da Fazenda, que é o dono do cofre disse em 6,14%, eu não posso fazer mais nada”, disse o senador.

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