Deputados decidem novo governador do DF em eleição indireta neste sábado

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Os 24 deputados distritais que compõem a Câmara Legislativa do Distrito Federal decidem neste sábado (17) quem será o governador e o vice-governador do DF em votação aberta na sessão plenária marcada para as 15h. 

Veja quem são os candidatos

Aguinaldo de Jesus (PRB) É deputado distrital. Voltou à Câmara pouco antes do período de desincompatibilização dos partidos, era secretário de Esportes do governo Arruda. Anunciou que seus principais objetivos são executar o Plano Plurianual de governo (PPA), promover reuniões mensais com representantes da sociedade civil e incentivar ações de economia solidária e cooperativismo. O vice é Roberto Wagner Monteiro
Antônio Ibañez (PT) Ex-reitor da UnB, também foi secretário de Educação no governo de Cristovam Buarque (PDT). Propõe a criação de um "comitê independente de vistoria" para fiscalizar as obras em execução, a adoção de medidas práticas contra a corrupção, como a conclusão de auditorias contra agentes públicos e políticos, e a abertura de canais de participação, como o Orçamento Participativo. O vice é Cícero Rola
Luiz Filipe Coelho (PTB) Luiz Filipe Coelho (PTB) - Ex-presidente da OAB-DF. É subprocurador-geral da República. Como candidato disse que iria construir mais postos policiais, imprimir mais transparência às ações do governo, cumprir o orçamento participativo e dar continuidade às obras "legitimamente contratadas", visando a Copa do Mundo. O vice é João Estênio Bezerra
Messias de Souza (PCdoB) Ex-secretário de Desenvolvimento Social do governo de Cristovam Buarque, foi assessor especial do ministro do Guido Mantega. Se eleito, comprometeu-se em ampliar as equipes da Saúde da Família, reativar a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília e o Batalhão Escolar, além de impor mais rigor nas análises dos contratos em andamento. A vice é Amância Ferreira
Rogério Rosso (PMDB) Foi secretário de Desenvolvimento Econômico e administrador de Ceilândia no último governo Joaquim Roriz (PSC) e, na gestão de Arruda, presidiu a Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal). Prometeu basear seu governo, se eleito, em três pilares: planejamento, transparência e controle das contas públicas. A vice é Ivelise Longhi
Wilson Lima (PR) Governador em exercício do DF. Foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1998. Em 2004, assumiu depois de ter sido suplente e, em 2006, foi reeleito. É autor de leis como a que limita em 30 minutos o tempo máximo de espera nas filas. Propõe transparência nos gastos públicos, conclusão das obras e início de outras previstas. O vice é Jucivaldo Salazar


O fato inédito na história da capital federal ainda gera incertezas na sociedade e nos próprios parlamentares, que estão atentos às mudanças que podem ocorrer até a hora do pleito, como a retirada de candidaturas. Apesar da boataria em torno da possível desistência do deputado distrital Aguinaldo Jesus (PRB) e do ex-presidente da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil), Luiz Filipe Coelho (PTB), ambos mantinham a candidatura até a noite desta sexta-feira (16).

Os candidatos aos cargos são Aguinaldo de Jesus e Roberto Wagner Monteiro, do PRB (chapa 1); Luiz Filipe Coelho e João Bezerra, do PTB (chapa 2); Antônio Ibañez e Cícero Rola, do PT (chapa 3); Rogério Rosso e Ivelise Longhi, do PMDB (chapa 4); Messias de Souza e Amância Ferreira, do PCdoB (chapa 5); e Wilson Lima e Jucivaldo Salazar, do PR (chapa 6).

Apesar de ser uma votação aberta, o presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), explicou que tanto no dia da votação quanto no da posse o acesso à Câmara será restrito por questão de segurança e falta de espaço. "A população poderá acompanhar as eleições nos dois telões que serão instalados do lado de fora da Câmara Legislativa", disse em entrevista coletiva na tarde desta sexta.

O deputado petista confirmou que todos os 24 deputados podem participar do pleito, mesmo aqueles citados na Operação da Polícia Federal, que tornou público o esquema que ficou conhecido como mensalão do DEM. "Eles não estão atuando como juízes em processo de impeachment, mas apenas exercendo o direito natural de eleitores neste processo eleitoral", afirmou Patrício.

O presidente da Casa se refere, em especial, ao deputado distrital Geraldo Naves (sem partido, ex-DEM), que foi solto no mesmo dia do ex-governador José Roberto Arruda. Ele tomou posse nesta semana ocupando a vaga deixada pelo distrital Júnior Brunelli (PSC), que renunciou ao cargo para fugir da cassação. Além de ter sido citado no inquérito da polícia, Naves, assim como Arruda, ficou preso por cerca de dois meses sob acusação de ter tentado subornar uma das testemunhas do caso, o jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra.

A eleição indireta é resultado do desmoronamento do governo local após as denúncias feitas pelo ex-secretário de Relações Intitucionais do DF, Durval Barbosa. Foi ele quem filmou o recebimento de somas de dinheiros por diversas pessoas ligadas ao atual governo.

O esquema de corrupção denunciado por Barbosa envolvia 10 deputados (oito titulares e dois suplentes), servidores do governo do Distrito Federal, empresas prestadoras de serviço e o então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) – que foi cassado por infidelidade partidária e preso por tentar atrapalhar o andamento das investigações ao participar de uma tentativa de suborno ao jornalista Sombra.

O então vice-governador, Paulo Octávio (sem partido, ex -DEM), renunciou ao cargo e deixou ao deputado distrital Wilson Lima (PR) a função de governador interino até a nova eleição ser convocada.

Votação
Neste sábado, cada chapa terá 30 minutos para defender a sua candidatura. E cada deputado poderá discursar ao apresentar seu voto na sessão. O plenário está restrito a 150 convidados dos partidos políticos. Todas essas especificações foram publicadas na edição desta sexta-feira do Diário da Câmara Legislativa.

Para ser eleito em primeiro turno, o candidato deverá reunir 13 votos. Na impossibilidade disso, um segundo turno será realizado na sequência, com os dois candidatos mais votados.

A posse do novo governador está marcada para as 10h de segunda-feira (19) no plenário da Câmara Legislativa, com acesso novamente restrito a convidados, servidores e imprensa.


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