MST faz protestos em Salvador e invade fazenda no interior do Estado

Heliana Frazão
Especial pra o UOL Notícias

Em Salvador

Após uma semana de caminhada pela BR-324, percorrendo os 110 quilômetros que separam as cidades de Feira de Santana e Salvador, na Bahia, cerca de 5.000 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) chegaram à capital baiana na manhã desta segunda-feira (26). Eles acamparam na chamada “Rótula do Abacaxi”, na entrada da cidade, onde também fica o canteiro de obras do metrô. Os sem-terra participam do Abril Vermelho, a jornada de lutas do movimento, e permanecem até está terça-feira (27) na cidade.

O objetivo é cobrar mais atenção do governo para a reforma agrária no país, e lembrar os 14 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 19 trabalhadores foram mortos por policiais militares no dia 17 de abril de 1996.

“Pretendemos manter viva a lembrança dos nossos companheiros que foram mortos em Eldorado dos Carajás até que os assassinos sejam devidamente punidos”, disse a diretora do MST, Luci Barbosa.
Em razão da grande movimentação dos militantes do MST, o trânsito ficou congestionado no local, onde rotineiramente é intenso o fluxo de veículos, e agentes da Transalvador – órgão que coordena o trânsito em Salvador – e policiais militares das Rondas Especiais tiveram que acompanhar o grupo.

Durante a tarde, representantes dos manifestantes discutem a pauta de negociação na Secretaria Estadual de Agricultura e devem ser recebidos por técnicos do Incra.

De acordo com os organizadores, a marcha também tem como objetivo chamar a atenção para a falta de estrutura nos assentamentos e a lentidão do governo em obter terras para assentar as famílias acampadas. Atualmente cerca de 25 mil famílias aguardam por assentamento no Estado.

O grupo pretende passar a noite na Rótula do Abacaxi e, na terça-feira, segue para o Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde fica a sede do governo baiano. O MST planeja realizar um protesto no local.

Invasão na Veracel
No município de Eunápolis, extremo sul do Estado, outro grupo de cerca de 400 militantes mantêm, desde a quarta-feira (21), a ocupação da fazenda Barrinha, da Veracel Celulose, empresa que atua no plantio de eucalipto na região. Um dos coordenadores do movimento na Bahia, Marcio Matos, diz que não há perspectivas de desocupação da propriedade. Essa é a segunda vez que o MST invade a fazenda.

De acordo com Márcio, a invasão tem como objetivo pressionar o governo, que paralisou a reforma agrária na região, enquanto avança o plantio de eucalipto na área. Eles dizem que o crescimento das áreas plantas com eucalipto não contam com licenciamento ambiental, zoneamento e nem planejamento. “Além disso, reduz significativamente a área disponível para o plantio de alimento e não gera emprego”, afirma.

Conforme a assessoria de imprensa da Veracel, a empresa já está adotando as medidas cabíveis e aguarda trâmite e o cumprimento da reintegração de posse. A empresa ainda não divulgou o total do plantio que foi destruído nos últimos dias pelos sem-terra, mas informa que, desde o dia 21, o grupo hostiliza os trabalhadores, ameaça destruir equipamentos, cortam as árvores e provocam incêndios em uma área muito maior do que o necessário para montar acampamento ou para plantar alimentos.

“Nestes dias de ação, os invasores já devastaram mais de cinco hectares. O processo de reintegração de posse está em curso, mas não foram efetivadas. Enquanto isso, a destruição continua na fazenda Barrinha”, dizem os assessores da Veracel, acrescentando que, na ocupação anterior, em 2009, foram derrubados 315 hectares.

O MST alega que a derrubada é feita para plantar lavouras que garantam a alimentação da militância, como feijão, arroz e milho.

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