Produtores rurais protestam em Brasília contra "Abril Vermelho" do MST

Da Agência Brasil

Em Brasília

Produtores rurais vindos de todo o país participaram nesta quarta-feira (28), em Brasília, de uma caminhada pela paz no campo. Os produtores reivindicam a criação do Plano Nacional de Combate às Invasões. A proposta foi enviada no dia 13 de abril ao Ministério da Justiça pela senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu (DEM-TO). O ato promovido pela CNA faz parte da campanha “Vamos tirar o Brasil do vermelho”, numa alusão à onda de protestos que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) promove este mês.

 

“Apoiamos a reforma agrária, só não somos a favor das invasões. Queremos paz no campo e essas invasões não permitem isso. Invasão é crime previsto na Constituição Federal e esse ato vem se repetindo faz tempo sem que ninguém tome medidas para evitá-los!”, reclamou a senadora Kátia Abreu durante o protesto.

Segundo a presidente da CNA, as invasões prejudicam todos os brasileiros e não só os proprietários dos terrenos invadidos. “Só em Mato Grosso, uma área do tamanho de Sergipe está ocupada pelo MST e isso representa prejuízo estimado em R$ 850 milhões por ano para o estado”, afirmou.

 

A manifestação começou por volta das 9h da manhã, com uma missa na Catedral de Brasília. Após a celebração religiosa, os produtores rurais caminharam até o gramado em frente ao Congresso Nacional, onde deram as mãos em volta de uma grande bandeira com o lema “Queremos paz no campo. Não às invasões”. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 300 pessoas participaram da manifestação.

“A campanha é justamente uma contraposição àquela outra, 'Abril Vermelho', realizada pelo MST”, disse José Torres, um dos diretores da CNA.

 

As manifestações do "Abril Vermelho" ocorrem todos os anos para lembrar a morte de 19 trabalhadores rurais, em 17 de abril de 1996, na cidade paraense de Eldorado do Carajás, durante confronto entre lavradores e policiais militares.

Segundo o MST, durante o “Abril Vermelho” deste ano foram ocupadas a sede nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília e as superintendências do órgão em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Piauí e Paraíba. Também houve ocupações de fazendas em Pernambuco (25), Bahia (15), São Paulo (11), Paraíba (5), Sergipe (4), Alagoas (2), Ceará (2), Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul (uma propriedade em cada Estado).

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