Promotoria pede condenação de 30 anos para suposto mandante da morte de Dorothy Stang

Sandra Rocha*
Especial para o UOL Notícias

Em Belém

  • Divulgação/Carlos Silva

    Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), Dorothy Stang foi morta com sete tiros em fevereiro de 2005, em Anapu (PA)

    Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), Dorothy Stang foi morta com sete tiros em fevereiro de 2005, em Anapu (PA)

A Promotoria pede pena de 30 anos de prisão para o pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, o "Taradão", que está sendo julgado nesta sexta-feira (30), em Belém, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang. Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), área de intenso conflito fundiário, Stang foi alvejada com seis tiros numa estrada de Anapu (PA) em fevereiro de 2005.

Cinco anos depois do assassinato, Galvão vai pela primeira vez a julgamento. O fazendeiro é o único dos cinco réus do processo que nunca havia enfrentado o Tribunal do Júri. Ele nega a acusação e se diz inocente.
O promotor Edson Cardoso pede a condenação de 30 anos sustentando que o réu sempre manteve negócios com Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, condenado, há cerca de duas semanas, a 30 anos de prisão também pela suspeita de ser mandante do assassinato. Outros três envolvidos no crime já foram considerados culpados.

O advogado de Galvão, Jânio Siqueira, sustenta no júri que o depoimento de Amair Feijoli, o “Tato”, outro condenado pelo crime e que foi arrolado como testemunha de defesa nesta sexta, foi decisivo. Feijoli, que foi beneficiado pela redução de nove anos de pena por ter delatado Regivaldo Galvão e Vitalmiro Bastos de Moura, disse aos jurados que mentiu quando acusou Galvão de ser um dos mandantes do assassinato.

A promotoria apresentou o vídeo da reconstituição do assassinato. Também apresentou uma cadeia de compra e venda do lote 55 – área de floresta virgem que estaria destinada ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável, defendido pela missionária, mas que teria sido grilada e vendida pelos acusados de matar Stang. O documento mostra a participação direta ou indireta do réu, através de intermediários como Vitalmiro Bastos e Libério Nascimento. Este último é apontado como capataz de Galvão.

O promotor afirmou que o depoimento de Feijoli comprova a relação do réu com o crime. Cardoso sustentou que Feijoli denunciou os acusados porque sua esposa, Elizabeth Cunha, estava sendo ameaçada. Ele chegou a relatar a pressão que vinha sofrendo para inocentar os dois, mas em seus últimos depoimentos repetiu a inocência de Galvão.

Já o advogado disse que seu cliente tem sido perseguido pela Justiça porque outros dois suspeitos de participação como mandantes, os fazendeiros Délio Fernandes e Luiz Ungaratti, só foram ouvidos uma vez pela polícia e, então, dispensados.

Siqueira sustentou que outras pessoas tinham interesse em matar a missionária, mas seu cliente não integrou o “consórcio” para pagar pela morte porque, no momento em que vendeu o lote 55, deixou de ter interesse pela área. “Ele não tinha interesse mais. Comprou e vendeu”, ressaltou.

Galvão foi denunciado e pronunciado em 2006 sob acusação de homicídio qualificado e responde ao processo em liberdade. Os demais envolvidos no crime foram condenados e estão presos: Vitalmiro Bastos de Moura, condenado a 30 anos de prisão; Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, sentenciado a 27 anos.

A defesa de Galvão tentou prorrogar mais uma vez o julgamento, mas o Supremo Tribunal Federal indeferiu o pedido. A defesa diz que ele é inocente e que não tinha nenhum interesse na morte de Dorothy. O julgamento começou às 8h no Fórum Criminal de Belém (PA).

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