Romeu Tuma defende filho acusado de envolvimento com a máfia chinesa

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Atualizada às 14h39

Ex-superintendente da Polícia Federal paulista, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) saiu em defesa do filho nesta quinta-feira (6), após as denúncias da PF de que o secretário nacional de Justiça e ex-deputado estadual, Romeu Tuma Júnior, estaria envolvido com integrantes da máfia chinesa que atuam em São Paulo.


 

“[Tuma Júnior] é uma pessoa digna e correta e construiu a carreira dele dessa forma”, alegou o senador, pela primeira vez, desde que o caso foi publicado ontem no jornal "O Estado de S. Paulo". No mês passado, Tuma Jr. assumiu o CNCP (Conselho Nacional de Combate à Pirataria), órgão do governo encarregado de combater produtos contrabandeados.


 

Incomodado em ter de responder às questões feitas por jornalistas, no Congresso, o parlamentar preferiu não se estender sobre a possibilidade de Tuma Jr. ter relações amistosas com Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, preso no ano passado com mais 13 pessoas sob acusação de formação de quadrilha e descaminho. De acordo com a Polícia Federal, o grupo movimentava cerca de R$ 1,2 milhão por mês com a pirataria em São Paulo e no Nordeste.


 

“Amizade qualquer um de nós tem, uma série de amigos. Fui chefe de polícia em São Paulo e cuidava do setor de estrangeiros. Conheci muita gente. Amizade, nós temos até o momento em que se acha que a pessoa não cometeu qualquer ilícito, a partir do momento que considera que ela tenha praticado não pode ser solidário com prática de ilícitos”, afirmou.

Segundo a reportagem do diário paulista, o secretário pedia produtos como celulares, computadores e videogame para o negociador chinês em troca de, possivelmente, facilitar o contrabando de produtos chineses para o Brasil e de providenciar vistos para imigrantes chineses que estavam em situação irregular no país.

Nesta quarta-feira, Tuma Jr. não quis falar sobre o assunto, alegando que não teve contato com os autos do inquérito e que, por isso, seria impossível fazer qualquer defesa própria.

Para Sarney, não há provas suficientes
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também defendeu Tuma Jr. hoje. Sarney disse que não há provas suficientes que comprovem o envolvimento do secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., com a máfia chinesa que atua em Sao Paulo

"Acho que as notícias que li nos jornais não têm nenhuma substância. O secretário Romeu Tuma [Jr.] comprar um telefone e, ao mesmo tempo, pedir emprego para o genro", disse ao se referir às denúncias da Polícia Federal.

Sair do cargo só depois de processo, diz Vaccarezza
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), avalia que Romeu Tuma Jr. não deve sair nem se licenciar dos cargos que ocupa por causa das denúncias de envolvimento com a máfia chinesa.

O deputado defende que apurações sejam feitas, inclusive para confirmar a veracidade das gravações telefônicas em que Tuma Jr. foi flagrado conversando com Paulo Li.

“Eu acho que esse processo será rápido. O governo se preocupa [com a imagem negativa do fato]. O maior defeito seria cometer uma injustiça com o cidadão”, ponderou o parlamentar.

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