Ex-governador Roriz nega versão de deputada envolvida no mensalão do DEM

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Em reposta à Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) disse em seu depoimento por escrito que não pagou a deputada distrital Eurides Brito (PMDB) por suposta ajuda na campanha dele ao governo em 2006.

“Nunca assumi compromisso de ressarcimento de despesas da então candidata Eurides Brito (...). Só tomei conhecimento desses fatos recentemente, pela imprensa”, alegou Roriz como resposta ao questionário enviado pela comissão sobre o processo por quebra de decoro parlamentar da deputada.

A versão contraria o que Brito teria dito para justificar as imagens de um vídeo gravado pelo delator do caso do mensalão do DEM, o ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, em que a deputada aparece colocando somas de dinheiro na bolsa.

Segundo a parlamentar, o vídeo mostra apenas o dia em que ela era ressarcida por ter ajudado a campanha do então candidato Roriz, promovendo encontros para angariar votos. A deputada não atendeu aos contatos do UOL Notícias para se manifestar sobre o depoimento do ex-governador.

De acordo com Durval, em seu último depoimento, Eurides Brito recebeu cerca de R$ 30 mil reais, não só naquele dia, mas, mensalmente, no período de 2003 a 2006.

O documento com as respostas de Roriz foi entregue ontem à comissão, mas só foi divulgado nesta sexta-feira (7). Na tarde de hoje, foram ouvidas mais duas testemunhas: Leondina Ribeiro do Couto e Ildeu de Oliveira.

A relatora da comissão, a deputada petista Érika Kokay, não quis apressar seu parecer sobre o caso, mas adiantou que os últimos depoimentos demonstraram desencontros entre as versões.

“Ildeu de Oliveira, do PMDB, disse que houve uma reunião na casa dele e, no fim da reunião, Roriz disse que iria derrotar Eurides. Isso foi no final de maio de 2006. Fato que a deputada Eurides confirma. Ela alega que fizeram as pazes em agosto, mas as reuniões [que teriam gerado pagamento de Roriz à deputada] se deram em junho, no momento em que diz que as relações estavam estremecidas. Ou seja, as investigações detectaram contradições nas versões”, afirma Kokay.

O prazo inicial para o fim dos trabalhos da comissão termina no próximo dia 27, mas pode ser prorrogado por mais 30 dias úteis. Há pelo menos mais duas testemunhas de defesa que ainda não prestaram esclarecimentos.

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