Mundo desenvolvido faria escândalo se vazamento de óleo fosse no Brasil, diz Lula

Vitor Abdala
Da Agência Brasil
No Rio de Janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje (31) o vazamento de óleo que ocorre no golfo do México desde abril deste ano. Segundo ele, o mundo desenvolvido teria feito um “escândalo” se acidente semelhante tivesse ocorrido com a Petrobras, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

“Acho engraçado como a imprensa trata uma coisa dessas. Imagina se fosse a Petrobras. Imagina se fosse aqui na Baía de Guanabara, o escândalo que o mundo desenvolvido teria feito contra nós. Imagina quantas matérias contra o Brasil, que [diriam que] não sabe tomar conta do seu nariz”, disse Lula, na abertura do 10º Michelin Challenge Bibendum, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

O vazamento de óleo ocorreu em um poço da empresa britânica BP, no golfo do México, na Costa Sul dos Estados Unidos, e já é considerado o pior desastre ambiental da história norte-americana. O fluxo do vazamento estimado por cientistas do governo e técnicos independentes, de 2 milhões a 3 milhões de litros de petróleo por dia, fez com que, na semana passada, se confirmasse este desastre maior que o do navio-tanque Exxon Valdez --que em 1989, despejou 42 milhões de litros no Alasca.

Polêmica nuclear
Lula também criticou os Estados Unidos por contestarem o acordo nuclear feito há duas semanas, entre o Brasil, a Turquia e o Irã, para o enriquecimento de urânio iraniano em território turco.

“A divergência do Irã com os Estados Unidos perdura 31 anos. Qual foi o mal que o Brasil e a Turquia fizeram? Foi convencer o presidente do Irã a sentar numa mesa para negociar, que era o que eles [Estados Unidos] queriam que acontecesse. Aí quando o Irã topa sentar, eles [EUA] falam: não vale mais”, disse o presidente.

Lula ressaltou que o Brasil quer respeitar os outros países, mas que também quer ser respeitado. “Não é possível fazer política internacional, não é possível fazer as coisas, se não houver um respeito mútuo nas relações.”

Política econômica
O presidente Lula disse ainda que o mundo desenvolvido deveria aprender, com o país, como se faz política econômica com seriedade. O presidente participou da abertura do 10º Michelin Challenge Bibendum, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

“Eles, que tanto vieram aqui nos dar lição de moral, poderiam vir aqui humildemente aprender como é que se faz política econômica com seriedade, como se alia exportações com crescimento econômico, como se alia controle da inflação com distribuição de renda”, disse Lula.

Segundo ele, o Brasil não quer crescer demais, para não ficar “igual a uma sanfona”, que alterna taxas altas e baixas de crescimento econômico. “É gostoso crescer a 4%, a 5%, a 6%, só não queremos crescer demais, porque não queremos ficar igual a uma sanfona, uma hora crescendo a 10%, outra crescendo a 2%. Nós queremos um crescimento sustentável, que possa durar 10, 15 anos”, afirmou.

De acordo com o presidente, o país aprendeu a “tomar conta de seu nariz” e que é possível “cuidar dos pobres sem precisar esperar o bolo. Antes se falava que era preciso esperar o bolo crescer, mas sempre aparecia um engraçadinho que comia o bolo antes de repartir”, acrescentou.

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