Brasil cumpriu seu papel ao dialogar com o Irã, afirma Lula

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Atta Kenare/AFP

    Lula cumprimenta o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. durante visita a Teerã no mês de março. O presidente brasileiro mediou ao lado da Turquia um acordo de troca de combustível nuclear com o país, contestado pelas grandes potências

    Lula cumprimenta o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. durante visita a Teerã no mês de março. O presidente brasileiro mediou ao lado da Turquia um acordo de troca de combustível nuclear com o país, contestado pelas grandes potências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (21) que o Brasil cumpriu seu papel e mostrou ao mundo que é possível fazer o Irã dialogar sobre a questão do enriquecimento de urânio.

Ao sair da cerimônia de lançamento da Semana Nacional sobre Drogas, Lula afirmou que as sanções impostas ao Irã foram determinadas por aqueles que apenas queriam punir o país presidido por Mahmoud Ahmadinejad.

Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã

Especialistas acreditam que o Irã ainda não tem capacidade de fabricar sozinho as varetas de combustível necessárias para o reator de Teerã.

"Vejo que o Brasil fez o que tinha que fazer. Precisava o Irã sentar à mesa. Fomos lá e provamos que somos capazes de convencer o Irã a sentar à mesa", afirmou Lula. "Agora, eu acho que os outros resolveram o punir o Irã porque queriam punir o Irã. Acho que nós fizemos o nosso papel", acrescentou Lula.

Novas sanções

Negociadores da Câmara dos Representantes e do Senado americano disseram nesta segunda-feira ter chegado a um acordo sobre uma nova rodada de sanções econômicas unilaterais ao Irã, em mais uma tentativa de frear o programa nuclear iraniano.

O projeto de lei esboçado pelos parlamentares americanos afetaria duramente empresas estrangeiras que fazem negócios com entidades iranianas que estão na "lista negra" dos EUA, com foco principalmente em bancos e fornecedores de gasolina e produtos do refino do petróleo.

A lei efetivamente tiraria acesso de bancos estrangeiros ao sistema financeiro americano se eles fizerem negócios com bancos iranianos específicos ou com membros de sua Guarda Revolucionária.

A proposta, que também inclui sanções aos fornecedores de gasolina do Irã, foi anunciado em um comunicado conjunto entre o senador Chris Dodd, chefe do Comitê Bancário do Senado, e o deputado Howard Berman, chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, ambos democratas. Ela será divulgada entre negociadores da Câmara dos Representantes e do Senado, e terá de ser aprovado em ambas as casas para se tornar lei.

Legisladores importantes querem que o Congresso aprove o projeto de lei até o começo do próximo mês para endurecer as atuais sanções dos EUA ao Irã, e ampliar as sanções acordadas pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e a União Europeia.

Na quarta-feira (16), o Tesouro dos EUA impôs sanções adicionais ao Irã por seu programa nuclear, pondo na "lista negra" mais empresas e pessoas suspeitas de ligações com o programa nuclear ou de mísseis do Irã.

As medidas proíbem transações de americanos com as entidades listadas, e buscam congelar quaisquer bens que elas tenham sob jurisdição americana. A União Europeia anunciou medidas adicionais semelhantes na quinta-feira (17).

Ilegais e inválidas

O governo iraniano afirmou na última sexta-feira (18), em comunicado publicado pela agência Irna, que as sanções recebidas do Conselho de Segurança da ONU são ilegais e deveriam ser revogadas.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que coordena a política de segurança e defesa do país se posicionou contra as medidas, alegando violação da soberania nacional.

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática
    População: 66.429,284
    Idiomas: Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos: Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1%
    Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2%
    Fonte: CIA Factbook

"A entrada do Conselho de Segurança das Nações Unidas nas atividades nucleares pacíficas da República Islâmica do Irã é ilegal e inválida", disse o órgão em comunicado.

Às medidas da ONU aprovadas no dia 10 de junho, somaram-se nesta semana sanções extras aplicadas pelos EUA e pela UE.

De acordo com o órgão iraniano, a aprovação destas sanções adicionais seriam ilegais pois quebram um artigo do estatuto da ONU e contradizem as regras da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

Expulsão

O Irã notificou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) que proibiu a entrada de dois inspetores no país para verificar suas instalações nucleares, segundo informou nesta segunda-feira a agência Isna, citando o chefe do programa nuclear iraniano, Alí Akbar Salehi.

Salehi disse que os nomes dos dois inspetores foram informados a AIEA semana passada. "Estes inspetores não têm o direito de vir ao Irã pois vazaram informações antes que fossem oficialmente anunciadas e, além disso, deram dados falsos", disse Salehi à agência ISNA. "Nós pedimos para que eles nunca mais enviassem aqueles dois inspetores novamente para o Irã. Enviassem outros no lugar", afirmou.

A mudança de posicionamento do país veio depois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou no último dia 10 a quarta rodada de sanções contra o país. Potências ocidentais acreditam que o Irã esteja enriquecendo material atômico para a fabricação de uma bomba, o que é negado pelo Irã.

*Com informações da Agência Brasil e Folha.com

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