Petro-Sal vira "Petro-Canjica", e agenda junina esvazia Congresso

Camila Campanerut

Do UOL Notícias<BR>Em Brasília

As festas juninas, as convenções estaduais partidárias e os jogos da seleção brasileira na Copa afastaram os parlamentares do Congresso Nacional nesta semana. No Senado, a votação do último projeto do marco regulatório do pré-sal, o da criação da estatal, prevista para ontem não teve quorum. Na Câmara, a falta de deputados e a pauta obstruídas podem atrasar em até duas semanas a votação dos projetos da partilha e do Fundo Social.

"A discussão do Petro-sal e a votação virou 'Petro-Açúcar', 'Petro-Pé-de-moleque', 'Petro-Canjica'", brincou a líder do governo no Congresso, a senadora petista Ideli Salvatti (PT-SC) sobre o fato de grande parte dos parlamentares aproveitar as festas juninas para se aproximar do eleitorado, em especial no Nordeste e, com isso, não comparecer ao trabalho em Brasília.

Ideli avalia que, até dia 30 de junho, "dificilmente" os parlamentares estarão focados nas votações. “Pior do que a Copa, o São Pedro, é o dia 30, o último dia das convenções estaduais. Todo mundo estará em seus Estados, inclusive eu, para os últimos ajustes para as eleições”, disse a senadora. Nesta quinta (24), é dia de São João, data tradicional para a população nordestina. Na próxima semana, é dia de São Pedro (29).

Apesar da baixa expectativa geral de votação, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-AP), reforçou, em entrevista a Agência Senado, que tentaria reunir o número mínimo de senadores, o equivalente a 42, para iniciar a votação ainda ontem. Acertou o líder do DEM na Casa, o senador José Agripino Maia (RN), que duvidou que a votação saísse. “Quem tem que se esforçar pra trazer gente aqui é a base? Será que eles conseguem? A oposição é contra a criação da estatal que representa um volta ao passado, estatizante, mas não vamos obstruir”, disse democrata.

Já na Câmara, os deputados da oposição continuam irredutíveis em relação a destrancar a pauta obstruída há mais de duas semanas em protesto para que se dê prioridade à emenda 29, referente à divisão entre União, Estados e municípios a verba destinada para a área da saúde. Para o líder do PSDB na Casa, deputado João Almeida (BA), se depender da bancada composta pelo PSDB, DEM e PPS, “nada será votado até que a emenda 29 volte a ser discutida em plenário”.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, no entanto, já mostrava resignação diante do fato. “Seria temerário convocar para essa terça-feira à noite [a votação], [seria] só jogo de encenação. E admito que na semana que vem também [não seja possível]. Temos até 15 de julho para votar o pré-sal”, justificou.

O recesso de meio de ano começa no dia 19 de julho, e os trabalhos são retomados em 2 de agosto.

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