Na África, Lula cita seleção para destacar miscigenação do povo brasileiro

Luciana Lima

Enviada especial a Ilha do Sal (Cabo Verde)<br>Da Agência Brasil

Mesmo após a derrota para a Holanda, a seleção brasileira esteve presente no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Cabo Verde. Ao ser homenageado neste sábado (3) por chefes de 15 países da África Ocidental, ele destacou a miscigenação do povo brasileiro. "Basta assistir a uma Copa do Mundo para percebemos que há times só de asiáticos, só de negros e só de brancos. Somente a seleção brasileira mistura brancos, negros e índios", disse Lula.

Ao chegar à reunião da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), Lula demonstrou ainda estar contrariado com o resultado do jogo. "Vou levar meses para me recuperar".

O presidente disse que os programas de cooperação para o desenvolvimento da África devem ser compromisso moral do seu sucessor. "Quem vier depois de mim está moralmente e politicamente comprometido a fazer muito mais", afirmou ele, em tom de despedida.

De acordo com Lula, a ajuda do Brasil aos países do continente africano é uma forma de retribuir uma dívida histórica. "Não temos como pagar, como mensurar em dinheiro, a dívida histórica que temos com a África. Somos devedores do nosso jeito de ser, somos devedores da nossa cultura, da nossa arte, da nossa cor e da nossa miscigenação".

Desenvolvimento agrícola

O Brasil deve continuar incentivando o desenvolvimento da agricultura nas savanas africanas, tanto para a produção de alimentos quanto para o plantio de cana-de-açúcar voltada à produção de biocombustíveis, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com presidentes de países da África Ocidental, em Cabo Verde. Ele destacou que a prioridade da cooperação brasileira com o continente está na produção de biocombustíveis.

Na manhã de hoje (3), Lula foi homenageado em Cabo Verde pelos representantes das 15 nações africanas presentes à reunião da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). 

Lula comparou a savana africana ao cerrado brasileiro, onde há uma agricultura e uma pecuária desenvolvidas. “Em muitos países do continente, inclusive os da Cedeao, podemos reproduzir a revolução da agricultura brasileira”, assinalou. 

Como exemplo de produção eficiente de alimentos, Lula citou o modelo de agricultura familiar adotado no Brasil, ressaltando que é possível combiná-lo com a atividade agrícola empresarial. “A produção do pequeno agricultor corresponde a 10% do nosso PIB [Produto Interno Bruto], gera milhões de empregos e fornece 70% dos alimentos consumidos no Brasil.” 

Ainda hoje, Lula anunciará o perdão da dívida de Cabo Verde com o Brasil, de cerca de US 3,5 milhões. Em seu discurso para líderes africanos, Lula disse que o Brasil se tornou credor de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e como o Banco Mundial para exigir uma mudança na postura delas. 

“O FMI e o Banco Mundial não podem seguir como antes. O Brasil se tornou credor dessas entidades para que elas mudem. Basta de programas de ajuste estrutural que inviabilizam medidas de inclusão social em nossos países”, destacou o presidente. 

“Ninguém duvida da urgência de reformarmos a governança econômica e política internacional. Mas essa reforma só tem sentido se for para favorecer o desenvolvimento com inclusão social. Eliminar a pobreza e derrotar a fome deve ser nossa ambição maior”, afirmou Lula.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos