Lula diz que não pedirá à Receita que acelere investigação sobre sigilo de tucano

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Receita Federal é “intocável” e que não vai pedir a aceleração das investigações sobre a quebra do sigilo da declaração de imposto de renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. A declaração foi dada em entrevista à TV Record.

“A Receita Federal é intocável, até para o presidente da República. Se eu pedir a declaração do meu pior inimigo, não pode”, disse Lula. Informações sobre o imposto de renda do tucano, obtidas em ao menos um acesso sem autorização judicial, apareceram em uma lista de dados em poder da campanha da presidenciável petista, Dilma Rousseff.

Na semana passada, em depoimento à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, evitou apontar culpados pela violação e disse que as investigações sobre o caso podem terminar apenas depois das eleições de outubro. Aliados do presidenciável tucano, José Serra, acusaram o funcionário de tentar ocultar os responsáveis.

Sobre seu futuro político, Lula repetiu que continuará viajando o Brasil depois de deixar o cargo. Não descartou um retorno a disputas eleitorais em 2014. “Em política a gente nunca pode dizer não. Se eu tiver juízo e os meus neurônios perfeitos, me contentarei em ser um bom ex-presidente da República, sem dar palpite”, disse.

“Fico pensando no que vai ser da minha vida, em São Bernardo. Não ter ninguém para xingar, não ter ninguém para fazer ligação pra mim. Vamos ficar eu e a Marisa olhando um para a cara do outro”, brincou.

Antecessores
Questionado sobre seus antecessores, Lula foi mais conciliador. Evitou o “nunca antes na história deste país”. “Todo mundo fez um pouco neste país. Getúlio, Juscelino. O primeiro mandato do FHC foi importante”, disse o presidente, que depois criticou o antecessor por conta da crise cambial de 1999 e pela situação que herdou.

“Este governo não deixará de tomar nenhuma medida, por mais que ela seja dura para mim mesmo, por causa de uma eleição”, afirmou Lula, recentemente criticado por oposicionistas – incluindo Serra – por ter permitido um reajuste aos aposentados acima do que era desejado por adeptos do comedimento fiscal.

Lula também questionou o governo tucano de São Paulo, por conta da pendenga sobre o estádio na cidade para realizar jogos da Copa do Mundo de 2014. “Não sei se é o Morumbi. Eu defendo [o Morumbi]. Mas o que eu mais defendo é o Estado de São Paulo. São Paulo não pode ficar sem abertura ou encerramento da Copa do Mundo. Que [os governantes] se virem”, afirmou.

Emoção
Lula chorou ao falar do empréstimo de R$ 200 milhões concedido pelo BNDES a uma cooperativa de catadores de papel e dos comentários de integrantes de movimentos sociais, satisfeitos em serem recebidos no Palácio do Planalto. “As pessoas passaram a perceber que o Brasil é deles”, afirmou, com os olhos marejados. “Vou entregar um outro país. Pungente, menos pobre.”

Questionado sobre se a sensibilidade presidencial está aumentando conforme chega o fim do governo, Lula respondeu: “Estou ficando velho”. “Eu tenho ficado mais emocionado porque as coisas estão acontecendo. É como se você estivesse passando o tempo todo plantando e um monte de gente dizendo ‘Não vai dar nada’. De repente a planta brota, cresce e eu estou colhendo”, disse.

“Só vou fazer uma avaliação do governo depois de certo tempo. Só vou descobrir que tem muita coisa que eu não fiz depois de um tempo”, completou.
 

 

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