Justiça adia julgamento da morte de Celso Daniel; promotor será o mesmo do caso Isabella Nardoni

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Em São Paulo

Acolhendo pedido do Ministério Público de São Paulo, o juiz da 1ª Vara de Itapecerica da Serra, Antonio Augusto Galvão Hristov, determinou o adiamento do júri de Marcos Roberto Bispo dos Santos, um dos acusados da morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André. O júri, que estava marcado para 3 de outubro, deve ser realizado em 18 de novembro, logo após o segundo turno das eleições.

Irmão de Celso Daniel reclama da demora do julgamento

O julgamento dos outros seis acusados ainda não tem data prevista. Cinco deles ingressaram com recurso contra a sentença que os leva a júri. A Justiça entende que pesam contra eles indícios suficientes de autoria para que sejam submetidos ao conselho de sentença.

O MP paulista publicou designação para que o promotor de justiça Francisco Cembranelli, que atua no 2º Tribunal do Júri da Capital, atue no julgamento de todos os réus no caso. Cembranelli se notabilizou depois da condenação do casal Nardoni pela morte da menina Isabella.

A Procuradoria-Geral de Justiça trata o julgamento do caso Celso Daniel como um dos mais importantes na esfera criminal. Por causa disso indicou uma “tropa de choque” que, além de Cembranelli, terá na tribuna de acusação outros promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do ABC paulista. A tese a ser sustentada é a de que o crime nada tem a ver com latrocínio (roubo seguido de morte) ou extorsão, mas que foi planejado e executado por motivação política.

Entenda o julgamento
O MP denunciou oito pessoas por envolvimento no crime – mas apenas sete vão a júri. Para a promotoria, o assassinato do prefeito foi encomendado por motivo torpe (por promessa de recompensa) e o juiz reconheceu que houve essa motivação.

Estarão no banco dos réus Ivan Rodrigues da Silva, José Edson da Silva, Itamar Messias dos Silva Santos, Marcos Roberto Bispo dos Santos, Rodolfo Rodrigues dos Santos Oliveira e Elcyd Oliveira Brito.

O júri será comandado pelo juiz Antonio da França. Os acusados serão julgados pelo crime de extorsão seguido de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa da vítima). A pena máxima é de 30 anos.

No entanto, o principal suspeito apontado pelo Ministério Público como mandante do crime, Sérgio Gomes da Silva, não irá a julgamento. O processo contra ele foi desmembrado e o andamento da acusação depende da entrega de provas solicitadas pela defesa. Sérgio Gomes nega participação no crime.

O caso
O ex-prefeito foi encontrado morto em 2002, numa estrada de terra de Juquitiba (SP), com marcas de tortura e alvejado por oito tiros. Ele estava sequestrado havia dois dias. Celso Daniel e Sérgio Gomes da Silva haviam jantado em um restaurante em São Paulo e voltavam para Santo André em uma Pajero blindada.

No caminho, o carro foi interceptado e o prefeito foi levado por sete homens armados. Para o Ministério Público, o sequestro foi simulado pelo empresário, que encomendou a morte do amigo. Gomes da Silva, que responde em liberdade, nega com veemência a acusação e afirma também ter sido vítima no caso.

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