Decisão não foi política, diz ministro das Comunicações após demissão nos Correios

Camila Campanerut e Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em Brasília e São Paulo

Em entrevista coletiva na noite desta quarta-feira (28), o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, confirmou a demissão do presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e do diretor de Recursos Humanos, Pedro Magalhães. Custódio será substuído por David José de Mattos, um técnico de Brasília.

Segundo Filardi, a decisão não foi política, mas sim administrativa. "Ele [Correios] não vai tão mal, mas precisa melhorar. Não foi uma decisão política, foi administrativa", disse.

Ainda de acordo com o ministro, a troca da direção era prevista já que a empresa tinha necessidade de "se oxigenar". Para justificar a troca de comando, Filardi citou a crise dos Correios no começo do ano, quando houve atrasos nas entregas, a demora para abrir novos concursos e também a questão judicial das franquias.

Após ser informado da demissão, Custódio disse que não estava surpreso. "Quando você assume um cargo deste você sabe quando entra, mas não sabe quando sai." Ele estava no posto desde julho de 2006.

Segundo a Folha de S.Paulo, as demissões constam das recomendações dos ministros Erenice Guerra (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento), responsáveis por um raio-X realizado na empresa, entregue nesta semana a Lula.

Correios é problema desde 2005
O maior escândalo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mensalão, foi detonado após um diretor dos Correios indicado pelo PTB ser flagrado cobrando propina supostamente em nome do partido.

A demissão de Custódio, que foi indicado pelo ex-ministro das Comunicações e candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, se deu meses depois do acerto com os peemedebistas para compor uma aliança em torno da presidenciável Dilma Rousseff, embora já tenha sido defendida meses antes por ministros da área econômica do governo.

O novo presidente dos Correios assumirá o cargo com o objetivo de melhorar a qualidade de serviço da estatal e modernizá-la. Em médio prazo, a expectativa do Palácio do Planalto é de recuperar, em especial, a área de logística dos Correios, permitindo contratação direta e imediata de outras empresas. Também podem ser criadas subsidiárias para atender os prazos do serviço Sedex, um dos mais rentáveis para a empresa.

Nos últimos anos a estatal também viveu várias greves. A última delas terminou em outubro do ano passado. As exigências iniciais dos trabalhadores incluíam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso.

Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.

Dos 35 sindicatos que compõem a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), 18 resolveram voltar ao trabalho e aceitar a proposta da estatal. Trabalhadores dos outros sindicatos retornaram às suas atividades sem aceitar a proposta.

Crise
No ano da última greve, os Correios tiveram seu menor lucro desde que Lula chegou ao governo, em 2003. Foram R$ 177 milhões, quase seis vezes abaixo do previsto para uma empresa estatal praticamente monopolista, com faturamento anual de R$ 11 bilhões.

Esses problemas recentes já chegaram à disputa eleitoral deste ano. O presidenciável do PSDB, José Serra, afirmou que os resultados ruins se devem ao suposto aparelhamento da empresa pelo governo petista. Lula rejeita a crítica e diz que sua gestão investiu na estatal para revigorá-la.

Em 2006, quando o petista se reelegeu, seus adversários também fizeram essa acusação, depois de uma CPI com o nome da estatal ganhar destaque nacional, impulsionada por depoimentos do presidente do PTB, Roberto Jefferson, suposto beneficiário de um esquema de corrupção na estatal.

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