Ministério nega que redução no orçamento tenha afetado ritmo de operações da PF

Daniella Jinkings
Da Agência Brasil

Em Brasília

O secretário executivo do Ministério da Justiça, Rafael Favetti, negou que o ritmo de operações da Polícia Federal (PF) tenha diminuído em virtude da falta de recursos. Segundo ele, os problemas financeiros não são exclusividade da PF, pois todas as áreas do governo sofreram limitações econômicas nos últimos meses.

“Mesmo em época de eleição, a área econômica do governo não vai ficar brincando com dinheiro público. O Ministério da Justiça recebe o dinheiro dentro dos limites e repassa os bolos para cada área. Portanto, as limitações financeiras não foram para a PF, mas para todo o governo”, disse, em entrevista exclusiva à Agência Brasil.

O comando da Polícia Federal determinou a superintendentes e diretores regionais, em junho, o bloqueio de verbas para investimentos e operações por prazo indeterminado. De acordo com mensagem interna emitida pelo diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, em junho, foram reduzidos gastos com as unidades e as diárias pagas a delegados e agentes sofreram corte de 40%. De acordo com o documento, a PF deveria receber o valor mensal de R$ 64 milhões, mas recebeu, de janeiro a maio, o valor mensal de R$ 39,6 milhões.

Por meio da assessoria de comunicação, a PF confirmou o contingenciamento e disse que tomou algumas inciativas para readequar os gastos. De acordo com o diretor de Estratégia Sindical da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Paulo Renato Paes, o alarmismo criado após o anúncio de limitações econômicas na corporação tem viés político.

“A PF não funciona assim. Não paramos as operações. É só ver os sites para ver que a polícia está trabalhando em todo o Brasil e isso se deve aos agentes. É muito comum diárias atrasarem. O que aconteceu foi a realocação de recursos”, disse.

De acordo com Favetti, a mensagem interna é enviada para as unidades da PF e não há contato direto com o ministério. O secretário executivo rechaçou qualquer “fala, qualquer discurso de que estamos atingindo a Polícia Federal. É questão de honra para o Ministério da Justiça que nunca falte dinheiro para as operações.”

Favetti também negou que as limitações econômicas tenham prejudicado o abastecimento de carros e helicópteros da PF. “Ouvi falar desse factóide, de que estava faltando dinheiro para a gasolina da Polícia Federal. Isso é Mentira. Nunca recebi qualquer indicação de problema com gasolina de quem quer que seja.”

Segundo o diretor de Programas da Secretaria Executiva do ministério, Adélio Martins, a PF – que recebe 24% do orçamento do Ministério – e várias áreas da pasta sofreram contingenciamento. “Eles [diretores da PF] mandaram um representante dizendo que precisavam de mais recursos. Imediatamente, a área econômica conseguiu descontingenciar R$ 58 milhões, que foram enviados.”

Além do recurso emergencial, a medida provisória sobre enfrentamento ao crack e outras drogas destinou mais R$ 29 milhões à PF. De acordo com Martins, o Tesouro Nacional também prometeu uma ampliação dos recursos financeiros que serão repassados para a PF. “É importante frisar que, em nenhum momento, chegou algum documento dizendo que as operações estão paralisadas ou que tem veículos sem combustível.”

O diretor também informou que os recursos orçamentários sairão a partir de setembro. “Estamos tranquilos, porque, a partir de setembro, deve ocorrer o descontingenciamento”, garantiu.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos