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Em posse no RS, Tarso Genro diz que vai se inspirar em Lula e propõe pacto entre poderes

Felipe Prestes<br>Especial para o UOL Notícias<br>Em Porto Alegre

01/01/2011 12h08

Quem quis prestigiar a posse do governador Tarso Genro (PT), em Porto Alegre, precisou maneirar na comemoração da passagem do ano. Isto porque a cerimônia teve início às 8h15min da manhã deste sábado (1º), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Tanto o governador eleito quanto vários importantes petistas tomaram um avião ainda pela manhã para embarcar para Brasília a fim de participar da posse da presidente eleita Dilma Rousseff (PT).

No início da manhã, eram pouquíssimos os militantes na Praça da Matriz, circundada pelas sedes dos poderes Legislativo e Executivo gaúchos. Dentro da Assembleia, contudo, correligionários de Tarso Genro lotavam as galerias do local. Mesmo com a pressa, houve os atrasos rotineiros nas cerimônias do Parlamento gaúcho.

Eram 8h50min quando Tarso Genro e o vice-governador Beto Grill (PSB) prometeram aos parlamentares, emocionados, cumprir com a Constituição e buscar o bem comum dos gaúchos. Em seu discurso no Parlamento, Tarso Genro lembrou diversas vezes o presidente Lula e a presidente eleita Dilma Rousseff e destacou sua atuação como Ministro da Justiça: “Vou propor um pacto entre os poderes, como fiz quando ministro da Justiça”, disse.

Genro reforçou o discurso do diálogo que vem utilizando desde a campanha e disse que o RS “pode dar alguns exemplos para o país, de civilidade política”, se conseguir evitar conflitos. “Isso significa exigir que o RS seja o RS do Brasil e do Mundo”, finalizou o discurso, citando o slogan principal de sua campanha política: “Rio Grande do Sul do Brasil, do Mundo”.

Transmissão cordial

A transição entre os governos tucano de Yeda Crusius e o petista de Tarso Genro teve episódios conturbados – o PT contestou algumas ações da governadora no final do governo. Mas sempre que Crusius e Genro apareceram juntos, tiveram encontros cordias. Não foi diferente na transmissão de posse no Palácio Piratini.

“Pode contar com a confiança dos democratas como eu. Estarei aqui para ajudar”, disse Yeda a Tarso, no final de seu discurso. O governador que assume, logo que tomou a palavra, retribuiu. “Agradeço o oferecimento de diálogo. Desejo-lhe sorte, paz e felicidade.”

Yeda Crusius disse que sai com “missão cumprida”. Repetiu que suas ações têm sido pouco compreendidas por serem novidade. “A humanidade não deposita muita fé no novo.”

Tarso Genro exaltou a figura dos dois ex-governadores que o apoiaram desde a campanha: Olívio Dutra e Alceu Collares. Comparou-os com Nelson Mandela. Genro citou reiteradas vezes o líder sul-africano, que considera um referencial para a democracia moderna, e desejou que Mandela “inspire” seu governo.

Tarso Genro também disse que seu governo deve se inspirar no do presidente Lula, especialmente no diálogo. Ele pediu ainda que a imprensa faça cobranças, apure eventuais denúncias contra seu governo até as últimas consequências. “Só assim alcançaremos a máxima transparência”.

Após o ato, Tarso Genro foi até uma das sacadas do Palácio e falou brevemente com militantes que o aguardavam do lado de fora. O pequeno discurso teve apenas quatro minutos, porque a comitiva já o aguardava para partir rumo ao aeroporto.

Genro deixou o Palácio Piratini, sede do poder Executivo gaúcho, às 10h45min, acompanhado pelos parlamentares Giovani Cherini (PDT) e Beto Albuquerque (PSB), além dos ex-governadores Olívio Dutra (PT) e Alceu Collares (PDT). A comitiva rumou direto para o Aeroporto Salgado Filho para embarcar em jato de oito lugares. Outros buscaram uma vaga em um avião da Força Aérea Brasileira, ao qual o presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), tem direito. Quase uma dezena de parlamentares nem sequer assistiu a cerimônia do Palácio Piratini, indo apenas à Assembleia Legislativa. Isto porque Marco Maia precisava chegar cedo em Brasília devido aos preparativos da Câmara para a posse de Dilma.

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