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PMDB quer PT na presidência da Câmara, mas quer debater valor de salário mínimo

Fábio Brandt <br>Do UOL Notícias <br>Em Brasília

05/01/2011 16h56

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), enviou nota à imprensa na tarde desta quarta-feira (5) afirmando que seu partido apoia o candidato do PT, Marco Maia (PT-RS), para a presidência da Casa. Sobre o salário mínimo, no entanto, o texto indica desacordo com o PT e diz que “muitas outras propostas virão [além dos R$ 540 sugeridos pelo governo]”.

Desde que os peemedebistas demonstraram insatisfação com a distribuição de cargos no governo Dilma, a presidência da Câmara e o valor do salário mínimo tornaram-se questões centrais da polêmica envolvendo os dois partidos.

Ontem, após reunião para discutir a distribuição de cargos, o deputado Eduardo Alves indicou que o PMDB poderia não concordar com o governo na votação do salário mínimo. Paralelamente, circularam informações de que ele estaria articulando a candidatura de Sandro Mabel (PR-GO) à presidência da Câmara como alternativa ao nome indicado pelo PT. Isso representaria uma quebra do acordo firmado entre os partidos para se revezarem no cargo.

A nota enviada hoje por Alves diz que o PMDB tem “compromisso de honra” e vai apoiar o petista Marco Maia. A informação serve também como resposta ao líder do PT, Fernando Ferro (PT-PE) que, ontem, indicou que seu partido só vai apoiar o PMDB se o acordo for cumprido.

Mas, com relação ao mínimo, a nota de Alves diz: “Em relação ao salário mínimo, o governo Lula fixou por meio de medida provisória o valor de R$ 540. Chegou a hora de o plenário debatê-lo e votá-lo. Muitas outras propostas virão”.

A seguir, íntegra da nota divulgada por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN):

“Diante de tantas notícias, sobre tantos assuntos, nas últimas horas, envolvendo a presidência da Câmara dos Deputados, cabe esclarecer:

1) Salário mínimo

Em relação ao salário mínimo, o governo Lula fixou por meio de medida provisória o valor de R$540. Chegou a hora de o plenário debatê-lo e votá-lo. Muitas outras propostas virão.

Diante da responsabilidade que temos com o país e com o nosso governo da presidenta Dilma, queremos antecipar a este momento uma discussão séria com a área econômica. Buscar números e razões para enfrentar este debate, que não pode ser emocionalizado nem demagógico.

Essa medida tem graves repercussões nos estados e municípios e o PMDB quer sua bancada unida e consciente na discussão e na votação - apenas isto. Misturar esse tema com a definição de cargos na composição natural do nosso governo é uma absurda e imperdoável irresponsabilidade.

2) Eleição da mesa diretora da Câmara

O PMDB e o seu presidente, líder maior, Michel Temer, assinou um documento/compromisso com o PT - partido com a maior bancada na Câmara – baseado no respeito à proporcionalidade e aos direitos de cada partido. Tornou-se, portanto, compromisso de honra para o PMDB. O nosso candidato é o candidato do PT, deputado Marco Maia. Torcemos e trabalharemos para que ele se torne o nome do consenso dos partidos da base do governo, da oposição – dos maiores aos menores - e enfim, o presidente da instituição Câmara dos Deputados.

Henrique Eduardo Alves
Líder do PMDB na Câmara”

 

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