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PT tem apoio de nove partidos na Câmara para eleger Marco Maia

Fábio Brandt<BR>Do UOL Notícias<BR>Em Brasília

19/01/2011 18h44

O PT conseguiu até esta quarta-feira (19) o apoio de nove partidos para eleger Marco Maia (PT-RS) presidente da Câmara dos Deputados. Além do PMDB, com quem os petistas têm acordo de revezamento na presidência, votam em Maia três partidos da oposição (PSDB, DEM e PPS) e cinco da base aliada (PP, PSB, PR, PC do B e PDT). A eleição na Câmara será no dia 2 de fevereiro.

O quadro atual mostra que o candidato do governo vai se definindo como o único viável para o cargo. Além dele, apenas Sandro Mabel (PR-GO) cogita disputar a presidência da Casa, mas não conta nem com o apoio de seu próprio partido, que ofereceu jantar a Marco Maia na noite de ontem (18).

Outros dois potenciais candidatos já desistiram e se alinharam com suas legendas no apoio ao PT. Aldo Rebelo (PCdoB-SP) anunciou a desistência na última sexta (14) e Júlio Delgado (PSB-MG), no sábado (15). Silvio Costa (PTB-PE) também pretendia concorrer e desistiu na quinta (13), prometendo pedir apoio de seu partido a Maia –a aliança, entretanto, ainda não foi anunciada.
 
Hoje, o PDT se juntou aos petistas. O anúncio foi feito pela manhã, em nota enviada à imprensa com assinatura do deputado e sindicalista Paulinho da Força (SP).

Sem candidato a presidente da Câmara, o PDT confronta o PT criticando decisões do governo Dilma sobre o reajuste do salário mínimo e da tabela do Imposto de Renda (IR). O partido quer que o mínimo chegue em R$ 580 (contra os R$ 545 propostos pelo governo) e que o reajuste das faixas do IR seja de 6,43% (contra nenhuma atualização feita pelo governo, o que faz, por exemplo, parte dos isentos começarem a pagar o imposto).

O PPS declarou apoio ontem a Maia, fechando a trinca dos partidos oposicionistas que vão votar no candidato, junto com PSDB e DEM. O argumento dos oposicionistas para apoiar Maia é, basicamente, o de respeitar a proporcionalidade dos partidos (o regimento da Casa estabelece que o partido com mais deputados, no caso o PT, escolhe o primeiro cargo; o segundo partido escolhe o segundo e assim por diante).

Líder do governo e composição da mesa

Para compor a Mesa Diretora para o próximo biênio, os partidos usaram não só o critério da proporcionalidade, mas também negociaram cargos. O PT, por exemplo, teria direito a dois postos na mesa, mas anunciou que abre mão de um deles em favor do PSB –fato determinante para a retirada da candidatura de Júlio Delgado.

Hoje, a composição provável da mesa seria: Marco Maia (PT) como presidente; um nome do PMDB ou do PSDB como primeiro-vice-presidente; alguém do PP como segundo vice-presidente; PMDB ou PSDB na primeira-secretaria; DEM na segunda-secretaria; PR na terceira-secretaria e PSB na quarta-secretaria.

O PP assume a segunda vice-presidência porque, após apuração da eleição de 2010, alguns de seus candidatos barrados pela Justiça, como Paulo Maluf (PP-SP), foram considerados eleitos e a bancada do partido superou a do DEM, tornando-se a quarta maior. O deputado do PP que terá assento na mesa é Eduardo da Fonte (PP-PE). Pelo PSDB, está cotado Eduardo Gomes (PSDB-TO).
 
Além da presidência, o PT deve ainda indicar o líder do governo na Câmara –cargo até agora ocupado por Cândidao Vaccarezza (PT-SP), que perdeu o posto de candidato a presidente para Marco Maia.

O próprio Vaccarezza é cotado para ser líder, mas também são mencionados Henrique Fontana (PT-RS)e Arlindo Chinaglia (PT-SP), um dos articuladores da candidatura de Maia e um dos responsáveis pela frustração da candidatura de Vaccarezza a presidente.

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