Topo

No aniversário do PT, Lula nega ter criado Dilma

Fábio Brandt<br>Do UOL Notícias<br>Em Brasília

10/02/2011 20h37Atualizada em 10/02/2011 22h29

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser o foco das atenções no PT na noite desta quinta-feira (10), quando o partido completou 31 anos. Ele discursou em evento comemorativo organizado pelo partido em Brasília e negou ter "criado" a presidente Dilma. “Ela não é resultado do Lula. É conjunto de um grupo de forças políticas." A presidente chegou ao encontro após o discurso de Lula. Cortou o bolo de aniversário do PT e deixou o local sem discursar.

Lula ainda negou dicotomia entre seu governo e o da sucessora. “O sucesso da Dilma é o meu sucesso. O fracasso da Dilma é o meu fracasso”, afirmou o ex-presidente. “Não é uma aventura. É um projeto que estava construído e nos acreditávamos nele quando diziam que a Dilma era um poste.”

Em seu discurso, o ex-presidente também destacou feitos atribuídos ao seu governo, como a “criação de 15 milhões de empregos”, e contrapões essas realizações a dificuldades, com as quais disse ter aprendido.

“Eu e o PT tivemos que, a vida inteira, provar que éramos capaz. Ninguém nunca cobrava nada dos outros, mas de nós cobravam todo o tempo." Ele ainda considerou positivo ter perdido a eleição para presidente em três ocasiões (1989, 1994 e 1998): “Acho que foi o tempo necessário para me calejar, calejar o partido e me preparar para ganhar 2002”.

Ao iniciar o discurso, Lula convidou os presente a fecharem os olhos e imaginar, por alguns minutos, “como seria este país sem o PT”. Mais adiante em sua fala, ele mesmo deu a resposta: “Somos mais importantes do que nós pensamos que somos”.

O ex-presidente também aproveitou sua volta à cena para alfinetar seus antecessores na Presidência da República. Usou seu bordão “nunca antes na história desse país” e emendou: “Só depois do governo da Dilma, alguém fez o que a gente fez por esse país”.  

“Eles não sabem o prazer que eu sinto vendo pobre andando de avião”, declarou Lula, dizendo que, ontem, quando pegou um avião comercial para viajar para Brasília, foi tratado com “muito carinho”.  “Não sei quantos presidentes teriam coragem de entrar num avião [40 dias depois de deixar o cargo]”, comentou.

Mensalão

Na festa, Lula foi nomeado presidente de honra do partido por José Eduardo Dutra, atual presidente nacional da sigla. E inaugurou o exercício da nova função com cobrança ao próprio PT e duras críticas à oposição.

Lula afirmou que “não houve campanha mais infame contra um partido do que a campanha feita contra o PT em 2005”, referindo-se à repercussão do escândalo do mensalão (em que integrantes de seu governo foram acusados de comprar o apoio de congressistas). Disse que o caso ainda vai “dar muito o que falar” e que será tema para “muitos estudiosos”. No entanto, apresentou algumas conclusões que já tirou sobre a situação: “Quando um companheiro nosso tiver problema, na dúvida, a gente tem que estar com o companheiro da gente”.

Outra cobrança de Lula foi com relação às eleições de 2012. Pediu que não se deixasse para a última hora a escolha dos candidatos a prefeito que vão concorrer nas eleições de 2012, porque haverá “cidades importantes” em disputa.

Salário mínimo

Lula fez uma crítica indireta às centrais sindicais que pressionam o governo para aumentar sua proposta de reajuste do salário mínimo. Indiretamente, ele cobrou respeito à regra usada nos últimos anos para reajustar o salário (de acordo com o crescimento do PIB de dois anos antes e com a inflação do ano imediatamente anterior).

Para ilustrar a situação, Lula contou uma história de quando ainda era sindicalista. Disse que ele mesmo pediu para encerrar uma greve após os trabalhadores conseguirem um acordo. “Tá feito o acordo vamos voltar a trabalhar”, afirmou.

Em seu discurso, dirigiu-se a um dos presentes à comemoração, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para cobrar uma lei sobre o salário mínimo. “O salário mínimo, companheiro Marco Maia, vocês [congressistas] têm que aprovar uma lei definitiva”. Em seguida, mais uma vez alfinetando as centrais sindicais, disse: “Vamos brigar pelo salário máximo e vamos deixar o salário mínimo aprovado na lei, no Congresso Nacional”.

Folga aos fins de semana

Ao ser nomeado presidente de honra por Dutra, Lula foi presenteado com uma flâmula com o símbolo do PT e com a promessa de que só será chamado a trabalhar pelo partido de segunda a sexta-feira.

“Nós não vamos te convocar para nenhuma reunião em fim de semana, que foi seu pedido expresso”, disse José Eduardo Dutra para Lula. “Pode ficar tranquilo que vamos convidá-lo apenas para tarefa de segunda a sexta.”

Lula foi o último a subir ao palco da mesa que dirigiu o encontro. Apareceu para a plateia acompanhado de sua mulher, Marisa Letícia, e foi saudado com palmas e com a aclamação de seu nome. Apenas o casal vestia camisas vermelhas, destacando-se entre os ternos pretos dos colegas que também estavam no palco.

Além de Lula, Marisa Letícia e Dutra, sentaram-se à mesa petistas históricos como José Dirceu, Rui Falcão, José Genoíno, Ricardo Berzoini, Tarso Genro, Jaques Wagner e Marcelo Déda. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também teve seu lugar entre os petistas. O presidente interino do PSB, Roberto Amaral, também esteve entre o grupo.

A presidente Dilma Rousseff apareceu apenas ao fim do encontro e, junto com Lula, Marisa e Dutra, cortou o bolo de aniversário do PT.

Mais Política