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Ex-poderosos da Era Lula perdem espaço no governo Dilma

Maurício Savarese e Fábio Brandt <br>Do UOL Notícias <br>Em Brasília

16/04/2011 07h00

Quando Luiz Inácio Lula da Silva desceu a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2011, não era apenas ele que se afastava do centro do poder. Antigos aliados, bem mais distantes da sucessora, Dilma Rousseff, hoje se esforçam para ocupar cargos de segundo escalão – apenas meses depois de ganharem holofotes e afagos públicos de um dos mais populares governantes da história brasileira. Ainda há aqueles que, sem alternativa, se aninham na oposição ou acabam como articuladores menores no Congresso.

O UOL Notícias elencou dez políticos que, até agora, perderam poder na transição entre os governos Lula e Dilma. Há seis ex-ministros, incluindo dois concorrentes do PT na disputa presidencial de 2010, uma ex-governadora, um ex-presidente da Câmara e líderes partidários.

Veja a lista:

Hélio Costa (PMDB-MG)
Poder:
ministro das Comunicações (de 2005 a 2010), senador (eleito para o mandato de 2003 a 2011) e candidato ao governo de Minas (2010)

O que deu errado: deixou o ministério para disputar o governo de Minas pela terceira vez, arrancando do PT apoio que era de Fernando Pimentel, amigo pessoal de Dilma e atual ministro da Indústria e Comércio. Perdeu para Antonio Anastasia (PSDB), que nunca havia disputado eleição e só tinha o apoio do ex-governador Aécio Neves. Hoje, sem mandato, Costa cobiça um cargo no segundo escalão, mas não tem a simpatia da presidente.

Marina Silva (PV-AC)
Poder:
ministra do Meio Ambiente (de 2003 a 2008), senadora (reeleita senadora para o mandato de 2003 a 2011) e candidata a presidente da República (2010).

O que deu errado: rompeu com Lula, saiu do ministério, entrou no PV (que é um partido dividido entre caciques regionais) e perdeu a eleição. Mesmo fortalecida após a campanha, hoje gasta mais tempo disputando espaço entre os verdes do que desfrutando da popularidade adquirida.

Ricardo Berzoini (PT-SP)
Poder:
ministro da Previdência (de 2003 a 2004), ministro do Trabalho (de 2004 a 2005), presidente nacional do PT (de 2007 a 2010), coordenador da campanha de Lula à reeleição em 2006 e deputado federal (eleito em 1998, 2002, 2006 e 2010).

O que deu errado: após a crise do mensalão, foi plantado por Lula na presidência do PT, onde privilegiou seu grupo interno (o "Construindo um Novo Brasil"), gerando antipatia dos outros –em especial o Mensagem ao Partido, do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e dos governadores Tarso Genro (RS) e Jaques Wagner (BA). Na campanha de 2006, foi envolvido no escândalo da suposta compra de dossiê anti-PSDB, o que sempre negou. Em 2010, a equipe de Dilma pediu que se afastasse da campanha.

Ciro Gomes (PSB-CE)
Poder:
ministro da Integração Nacional (de 2003 a 2006), deputado federal (de 2007 a 2011) e pré-candidato a presidente da República (2010).

O que deu errado: depois de ser um dos deputados mais faltosos na Câmara, não teve a chance nem de perder sua terceira eleição para presidente. Seu partido, o PSB, preferiu apoiar Dilma Rousseff. A pedido de Lula, que o queria candidato ao governo paulista, mudou seu domicílio eleitoral do Ceará, onde é popular, para São Paulo. Mas Ciro só queria ser presidente. No governo Dilma, quis ser ministro da Saúde, mas a presidente lhe ofereceu a pasta da Integração Nacional. Hoje está sem cargo e mandato.

Aldo Rebelo (PC do B-SP)
Poder:
líder do governo na Câmara, ministro das Relações Institucionais (de 2004 a 2005) e presidente da Câmara dos Deputados (de 2005 a 2007).

O que deu errado: um dos principais articuladores políticos da Era Lula, o comunista perdeu apoio de aliados ao assumir posições da oposição na reforma do Código Florestal, da qual é o relator. No governo Lula foi cotado para ser ministro da Defesa, mas no governo Dilma, precisou ameaçar concorrer com Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara para chamar atenção. Cobiçou a Autoridade Pública Olímpica (APO), mas o cargo ficou com Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

Osmar Dias (PDT-PR)
Poder:
senador (de 2003 a 2011) e candidato a governador do Paraná (2006 e 2010).

O que deu errado: negociou até o último minuto o time pelo qual disputaria o governo do Paraná: PT ou PSDB. Acabou apoiado por Lula e foi derrotado por Beto Richa (PSDB) no 1º turno. Por ter ficado com os petistas, anulou as chances de seu irmão, Álvaro Dias (PSDB), ser candidato a vice-presidente na chapa de José Serra. Mas o apoio lhe garantiu, no governo Dilma, a vice-presidência de agronegócio do Banco do Brasil –cargo bem inferior ao que pretendia, de ministro da Agricultura.

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)

Poder: ministro da Integração Nacional (de 2007 a 2010) e candidato ao governo da Bahia (2010).

O que deu errado: saiu do Ministério para disputar o governo da Bahia contra Jaques Wagner (PT), um dos principais aliados de Dilma, contrariando a vontade de Lula. Empacado em 3º lugar nas pesquisas, atacou duramente o adversário, afastando-se também da petista. Escancarou seu descontentamento com o PT, apesar de ter assumido uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal. Articula-se com PSDB e DEM para a eleição municipal de 2012, em Salvador, e a estadual de 2014.

Ana Júlia (PT-PA)
Poder:
senadora (de 2003 a 2006), candidata a prefeita de Belém (2004), governadora do Pará (de 2006 a 2010) e candidata à reeleição (2010).

O que deu errado: importante articuladora de Lula no Senado, elegeu-se governadora em reduto do PSDB. No entanto, não manteve a popularidade durante o mandato, sobretudo depois que Belém perdeu para Manaus a sede da Copa do Mundo de 2014. No ano em que Dilma chegou à Presidência da República, Ana Júlia foi a única governante petista não reeleita. Hoje, aguarda nomeação para cargo na Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Gim Argello (PTB-DF)
Poder:
senador (de 2007 até 2015) e relator do Orçamento da União para 2011.

O que deu errado: suplente de Joaquim Roriz (PSC-DF) no Senado, assumiu a vaga após renúncia do titular. Aproximou-se de Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil, ganhou a confiança da base lulista no Congresso e tornou-se relator do Orçamento, posto cobiçado pelo poder de distribuir as bilionárias emendas parlamentares (dinheiro do governo federal destinado aos projetos de deputados e senadores). Mas, envolvido em escândalo de suposto desvio do dinheiro, justamente das emendas, no fim de 2010, perdeu o posto. Tem mais quatro anos de mandato, mas hoje sem o destaque que tinha.

Valdemar Costa Neto (PR-SP)
Poder:
presidente do PL e articulador da aliança entre Lula e José Alencar em 2002.

O que deu errado: negociou a adesão do empresário e senador José Alencar à candidatura do ex-sindicalista Lula e teve livre acesso ao presidente até estourar o escândalo do mensalão. Por isso, renunciou ao cargo de deputado federal, mas manteve o controle de seu partido. Em 2006, perdeu Alencar para o recém-fundado PRB. No segundo mandato do petista, plantou Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes. Sob Dilma, Nascimento continua no cargo, mas não por interferência de Valdemar.

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