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Política

Segurança pública deveria ser prioridade para Dilma, diz Anistia Internacional

Thiago Chaves-Scarelli

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

12/05/2011 20h01

A questão da segurança pública deveria ser uma prioridade para o governo da presidente Dilma Rousseff, afirmou nesta quinta-feira (12) ao UOL Notícias o especialista Patrick Wilcken, pesquisador sobre assuntos do Brasil para a Anistia Internacional.

“No campo dos direitos humanos, segurança pública tem que ser uma prioridade”, afirmou Wilcken. “O governo federal tem um papel importante para pressionar os Estados a profissionalizarem suas polícias”.

O comentário do especialista acompanha o panorama publicado hoje pela Anistia Internacional sobre o estado dos direitos humanos no mundo, relatório no qual a organização aponta que o Brasil ainda registra as mesmas violações reportadas nos anos anteriores: alto índice de violência, condições degradantes do sistema prisional e atraso na investigação dos crimes da ditadura, por exemplo.

“Algumas violações persistem no Brasil, principalmente por causa da fraqueza de algumas instituições, em especial na área de segurança pública”, comenta. “É preciso uma reforma profunda na polícia, no sistema judiciário e no sistema carcerário”.

Wilcken acrescenta que houve avanços e cita como bons exemplos as “Unidades de Policia Pacificadora” no Rio de Janeiro, e o “Pacto pela Vida” em Pernambuco, mas lembra que são iniciativas localizadas, sem grande abrangência.

Ameaças do crescimento

O pesquisador sobre assuntos do Brasil para a Anistia Internacional também destacou que o governo precisa trabalhar para que o quadro de crescimento do país não traga custos no campo dos direitos humanos.

“Houve avanços nas outras áreas, como mostra os dados do censo, houve grande avanço na área social. O Brasil claramente vem crescendo em ritmo acelerado e isso trás benefícios para muitas comunidades”, afirmou.

“Por outro lado, esse processo de desenvolvimento traz problemas, como os problemas relacionados aos preparativos para os Jogos Olímpicos e a Copa. No Rio de Janeiro, documentamos pessoas desalojadas pelas obras”, exemplifica.

Wilcken cita também os “megaprojetos” no norte do país, como hidrelétricas e barragens, que têm importância, mas podem trazer impacto negativo para a população local. “O governo tem que trabalhar para assegurar os direitos das comunidades atingidas”, comenta.

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