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Deputados governistas esvaziam comissão que tentaria convocar Palocci

Camila Campanerut

Do UOL Notícias <BR> Em Brasília

24/05/2011 15h20Atualizada em 24/05/2011 16h00

A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados cancelou a sessão desta terça-feira por falta de quorum. O esvaziamento foi provocado pela ausência dos parlamentares da base governista, que não compareceram à sessão para evitar que a convocação do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, fosse votada.

O líder do DEM na Casa, ACM Neto (BA), afirma que a estratégia do governo de esvaziar as comissões não vai impedir a mobilização dos parlamentares da oposição para tentar ouvir Palocci sobre o seu enriquecimento nos últimos quatro anos. “A mudança de horário [da comissão] foi feita com o objetivo de não dar quorum, e o governo que não pense que vai nos vencer pelo cansaço”, disse ACM Neto.

O presidente da comissão, Sérgio Britto (PSC-BA), encerrou a sessão após 16 minutos do horário convocado para o início dela, às 14h. Já a Comissão Mista de Orçamento, onde também está na pauta um requerimento de convocação de Palocci suspenderá a reunião, que deverá ser remarcada para amanhã.

O vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado (PT-MG), declarou que a Comissão Mista de Orçamento deve retomar a pauta que inclui a votação da convocação de Palocci nesta quarta-feira, após as 15h, se o Código Florestal for decido hoje, De acordo com o parlamentar, se a votação for adiada para amanhã, o requerimento de Efraim Filho ficará para a próxima semana.

Reportagem da Folha de S.Paulo informou que o patrimônio de Palocci aumentou 20 vezes entre 2006 e 2010 (de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões) e que ele comprou, por meio de sua empresa de consultoria, dois imóveis em São Paulo: um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil.

Senado

No início da tarde, a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) retirou de votação o requerimento para convocar Palocci a prestar esclarecimentos na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle sobre seu enriquecimento. O pedido havia sido apresentado pela própria senadora.

A estratégia da parlamentar foi evitar uma derrota política ao ter o requerimento rejeitado, uma vez que a maioria dos integrantes da comissão faz parte da base aliada do governo federal. “Estou retirando o requerimento, mas isso não significa desistir de ouvir o ministro Palocci”, disse. Brito pode apresentar o mesmo pedido em outra comissão, onde a maioria dos integrantes não seja governista.

Mais cedo, a senadora participou da reunião com lideranças do PSDB, DEM e PPS para articular a melhor forma de conseguir o apoio e a assinatura de cerca de 50 parlamentares que completariam o número necessário para a instalação da CPI mista que investigaria o ministro.

Pela manhã, lideranças da oposição na Câmara e no Senado decidiram pela manhã entrar com outros dois requerimentos para que a Procuradoria-Geral da República investigue o "vertiginoso crescimento" patrimonial de Palocci.

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