Topo

Ex-marido de Dilma fala sobre atuação na guerrilha e roubo do cofre do Adhemar

Ex-marido da presidente Dilma, Carlos Araújo, e Reynaldo Bhoury, diretor da novela
Ex-marido da presidente Dilma, Carlos Araújo, e Reynaldo Bhoury, diretor da novela 'Amor e Revolução', do SBT Imagem: Divulgação

Fábio Brandt

Do UOL Notícias<br>Em Brasília

29/06/2011 12h45

Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff (PT), deu depoimento sobre episódios que a presidente trata com discrição, como a prisão durante a ditadura militar e a participação no grupo armado VAR-Palmares. As declarações de Araújo serão exibidas em cinco capítulos da novela “Amor e Revolução”, do SBT, que irão ao ar de 4 a 8 de julho.

Araújo comenta o episódio que deu mais notoriedade ao grupo do qual Dilma Rousseff participou: o roubo de um cofre que teria pertencido ao ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros para obter recursos para a guerrilha. Segundo ele, o cofre continha cerca de “US$ 2 milhões”.

“O Adhemar de Barros tinha o monopólio do jogo do bicho no Rio de Janeiro; não era só São Paulo. Tínhamos a informação de que o dinheiro do jogo do bicho era recolhido mensalmente e levado para a casa de dona Ana Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e depois mandado para o exterior. Soubemos disso, fomos lá e pegamos o cofre”, disse Araújo no depoimento à novela.

Araújo também falou sobre as torturas sofridas pela presidente na prisão. Segundo ele, “ela não ficou com sequelas” e “sente muito orgulho do que fez”. Ele disse que “Dilma não participou de ação [armada]”, porque “não era o setor dela”.

A seguir, trechos dos depoimentos do ex-marido de Dilma Rousseff que serão exibidos pelo SBT e as datas de exibição:

Trecho 1 - 4 de julho, Relação com Dilma

“Eu tenho muito orgulho de ser companheiro da Dilma. Sempre nos identificamos. O nosso bom companheirismo persiste até hoje. Eu sempre fui advogado de gente pobre. Sempre fui uma pessoa de esquerda. Com a ditadura não vi outra saída a não ser partir para a luta armada. Formamos uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e praticávamos ações de desapropriação de bancos. Buscávamos dinheiro no banco para comprar armas. Também fizemos algumas ações em quartéis para pegar armas. Praticamos ações sociais também: pegávamos caminhões de carne na Baixada Fluminense e distribuíamos em favelas.”

Trecho 2 - 5 de julho – Prisão
“A Dilma foi presa em frente ao Jornal O Estado de S. Paulo. Como todos os demais, foi torturada na Oban (Operação Bandeirante). Ela foi condenada por 3 anos e cumpriu toda a pena... A Dilma sente muito orgulho do que fez! Ela não ficou com sequelas. Felizmente. Ela entrou na cadeia nova e saiu nova... Não deixa de ser uma ironia... Eu moro aqui nessa casa na beira do rio em frente à Ilha do Presídio (Porto Alegre), onde fiquei preso por quase um ano.”

Trecho 3 - 6 de julho, Roubo do cofre

“Conforme aumentava o número de clandestinos, de pessoas procuradas, tínhamos que planejar ações em bancos e pegar dinheiro para sustentar o pessoal. O Adhemar de Barros tinha o monopólio do jogo do bicho no Rio de Janeiro; não era só São Paulo. Tínhamos a informação de que o dinheiro do jogo do bicho era recolhido mensalmente e levado para a casa de dona Ana Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e depois mandado para o exterior. Soubemos disso, fomos lá e pegamos o cofre. Naquela época tinha aproximadamente US$ 2 milhões. O mais interessante é que dona Ana nunca pôde denunciar nenhum companheiro. Ela sempre negava o roubo. Então ninguém foi denunciado processualmente por essa ação. É como se não tivesse existido. Dona Ana não podia denunciar... Como ela justificaria o dinheiro?”

Trecho 4 - 7 de julho, Suicídio

“Fui pego em São Paulo e me levaram para o Dops. Fui torturado violentamente! Durante o processo de tortura tomei uma decisão: a de me matar. Durante um depoimento eu menti, e disse que tinha um encontro marcado com o Lamarca no dia seguinte pela manhã. Escolhi um lugar que era fácil para me matar: uma avenida da Lapa (Bairro de São Paulo) onde passavam carros em altíssima velocidade. Eu havia decidido me jogar. E foi o que aconteceu comigo: eu me atirei embaixo de uma Kombi e fiquei bastante ferido. Fiquei no hospital, mas depois de um tempo voltei para a tortura na Operação Bandeirante (Oban).”

Trecho 5 - 8 de julho, Dilma não participou de ações armadas

“A Dilma não participou de ação nenhuma. Não existe nenhum processo. Ela não participou de nenhuma ação armada porque não era o setor dela. Ela atuava em outros setores. Nós nos orgulhamos do que fizemos, mas isso não quer dizer que somos desprovidos de uma visão crítica. Tínhamos uma visão idealista que entrava em choque com a realidade. Mas não renunciamos a nada; temos orgulho do que fizemos. Mesmo agindo incorretamente, às vezes.”

Mais Política