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Interino fica no cargo de Nascimento por tempo indefinido, anuncia governo

Fábio Brandt*<br>Do UOL Notícias

Em Brasília

06/07/2011 20h10Atualizada em 06/07/2011 21h27

A presidente Dilma Rousseff decidiu que o Ministério dos Transportes será assumido interinamente por Paulo Sérgio Passos (PR), informou a ministra-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência Helena Chagas no fim da tarde desta quarta-feira (6). Passos assume o lugar de seu correligionário, Alfredo Nascimento (PR), que pediu demissão nesta quarta em meio a uma crise provocada pela divulgação de suposto esquema de propina no ministério.

Passos é o atual segundo homem da pasta. Ele ocupa o cargo de secretário-executivo, mas já foi titular em duas ocasiões (de 2006 a 2007 e em 2010), sempre sucedendo Alfredo Nascimento. O revezamento da dupla no cargo confirma rodízio de integrantes do PR (Partido da República) à frente dos Transportes.


Segundo Helena Chagas, Paulo Passos passou a tarde reunido com Dilma, mas, oficialmente, não falou sobre a crise – a ministra afirmou que o tema da reunião foi o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Chagas também disse que o novo titular pode ser definido “nos próximos dias”, mas não há prazo para resolver a situação.

Mais cedo, o líder do PR na Câmara dos Deputados, Lincoln Portella (MG), já tinha citado o nome de Passos alegando que  a presidente Dilma Rousseff aguardará por uma definição do partido sobre o substituto final de Nascimento, presidente do PR e envolvido em denúncias de favorecimento a aliados e familiares.

“Não somos masoquistas, ficamos tristes com o que aconteceu. Cogitar nomes agora seria uma leviandade que serviria apenas para que essas pessoas sejam descartadas”, disse Portella. Questionado sobre quando o ministério terá um titular, o deputado respondeu: “Depois do recesso”.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira (PT-SP), sugeriu em seu Twitter (@pauloteixeira13) mais cedo que o novo ministro dos Transportes poderia ser Paulo César Passos: "o sucessor de Nascimento é Paulo Sérgio Passos". Em seguida, voltou atrás: "A notícia de que o sucessor de Nascimento é Paulo César Passos ainda não foi confirmada", escreveu Teixeira no microblog.

Escândalo

O Ministério dos Transportes divulgou nota na tarde desta quarta-feira (6) anunciando a demissão de Alfredo Nascimento (PR-AM). Nesta quarta-feira (6), em Brasília, o clima no Congresso era de que Nascimento não tinha mais condições de ocupar o cargo por conta da divulgação de supostos esquemas de corrupção em sua pasta.

O comunicado do Ministério diz que dos Transportes diz que  Nascimento tem “determinação de colaborar espontaneamente para o esclarecimento cabal das suspeitas” e vai “encaminhar requerimento à Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de investigação e autorizando a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal”. A nota diz ainda que o ex-ministro reassumirá sua vaga de senador e a presidência de seu partido.

Denúncias

No último sábado (2) a revista “Veja” relatou suposto esquema de propinas no Ministério dos Transportes que beneficiariam o PR –partido ao qual pertence o ministro Alfredo Nascimento e que comanda a pasta desde o governo Lula.

Segundo a revista, o esquema envolveria o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec –órgãos submetidos ao Ministério dos Transportes. No sábado mesmo, a presidente Dilma Rousseff afastou quatro dirigentes da cúpula do Ministério, incluindo Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Dnit e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec. Os outros afastados são Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete de Nascimento, e Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro.

A situação de Nascimento se agravou nesta terça. O jornal “O Globo” divulgou caso em que o Ministério Público investiga suposto enriquecimento ilícito do filho do ministro, Gustavo Morais Pereira, de 27 anos. Segundo a reportagem, o patrimônio de sua empresa, a Forma Construções, aumentou 86.500% em dois anos beneficiando-se, supostamente, do esquema no Ministério.

*Com informações de Maurício Savarese

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