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Deputados governistas conseguem derrubar convite para Pimentel explicar suposto tráfico de influência

Camila Campanerut

Do UOL Notícias, em Brasília

07/12/2011 11h32Atualizada em 07/12/2011 15h54

Por 13 votos a cinco, os deputados rejeitarem nesta quarta-feira (7) o requerimento do líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), que convida o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a explicar aos parlamentares sua atuação como consultor entre os anos de 2009 e 2010 e as acusações de tráfico de influência em licitações na prefeitura de Belo Horizonte (MG).

Parlamentares da base barraram a aprovação do pedido sob alegação de que o fato ocorreu no período em que Pimentel não ocupava nenhum cargo eletivo e que o ministro até o momento "não se furtou a prestar esclarecimentos" sobre os assuntos levantados.

O pedido se baseou em reportagens do jornal “O Globo”. Segundo o jornal, uma das empresas que contratou a consultoria do ministro, a Convap, venceu meses depois duas licitações da prefeitura de Belo Horizonte, que somam R$ 95,3 milhões.

Em nota divulgada nesta terça-feira (6), o ministro negou qualquer irregularidade e chamou as acusações de “ilações indevidas”.

Paralelamente, a oposição, por meio do PPS, protocolou um pedido de explicações diretamente ao ministro, solicitando cópias dos contratos, e informações sobre quais serviços foram realizados pela empresa dele e os critérios usados pela a Prefeitura de Belo Horizonte para contratar a construtora Convap, uma das empresas que recebeu assessoria da consultoria de Pimentel.

No Senado, há ainda um pedido semelhante de convite a Pimentel que poderá ser analisado na próxima reunião da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, na próxima terça-feira (13).

Entenda o caso

Reportagens do jornal “O Globo” mostraram suposto tráfico de influência de Pimentel, no período de 2009 a 2010, enquanto atuava como consultor a empresas que fecharam contratos com a Prefeitura de Belo Horizonte (MG), onde foi prefeito e é aliado do atual prefeito Márcio Lacerda (PSB). Na ocasião, Pimentel também atuava na coordenação da campanha eleitoral da então candidata Dilma Rousseff.

Nos dois anos, a P-21 Consultoria e Projetos recebeu R$ 2 milhões pelos serviços prestados. O jornal trouxe a informação de que a empresa recebeu em 2009 e 2010 R$ 400 mil da QA Consulting, que pertence a um dos filhos de Otílio Prado –que é sócio do ministro em uma outra empresa e que foi assessor especial quando Pimentel estava na prefeitura.

Ainda de acordo com o jornal, Otílio Prado, exonerado do cargo de consultor técnico em 31 de dezembro de 2008, voltou dois dias depois à prefeitura, já sob o comando de Márcio Lacerda, como assessor especial lotado no gabinete do prefeito, com salário de R$ 8.840.

Nesta quarta-feira (7), o jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que a QA Consulting pagou R$ 400 mil à consultoria do ministro e manteve contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte no período em que o petista administrou a capital mineira.

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