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Estatal do Paraná compra avião de R$ 16,9 mi; oposição diz que é para uso do governador

Leandro Taques/UOL
Governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), durante sabatina da Folha/UOL em 2010 Imagem: Leandro Taques/UOL

Rafael Moro Martins

Do UOL, em Curitiba

2012-01-11T18:54:08

11/01/2012 18h54

A Copel Distribuição e Transmissão, subsidiária da estatal de energia do governo do Paraná, comprou nesta terça-feira (10) um avião executivo King Air 250, fabricado pela norte-americana Beechcraft. A Líder Aviação, vencedora do pregão, cobrou R$ 16.923.792 pelo aparelho – 1% a menos que o preço máximo fixado no edital de licitação.

Semanas antes, em 28 de novembro passado, a empresa firmara acordo com a Casa Militar para “uso eventual pelo governo do Estado da aeronave executiva a ser adquirida”. Para deputados de oposição, isso indica que a Copel comprou o avião para uso do governador Beto Richa (PSDB).

No edital de licitação, a Copel exigia que a aeronave fosse “nova, ano 2012”, com autonomia de voo para, “no mínimo”, 1.500 quilômetros quando completamente lotada, “cabine com compartimento para acondicionamento de bebidas, sistema de entretenimento composto de CD/DVD e tela de LCD com tamanho mínimo de 15 polegadas”.

Para o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), essas especificações e a capacidade de operar em pistas curtas e não pavimentadas indicam que o avião se destina a transportar Richa em viagens ao interior do Paraná durante seu governo – o acordo com a Copel, segundo o Diário Oficial, vai até 31 de dezembro de 2014, último dia da gestão do governador.

Poucas semanas após assumir o governo, em janeiro de 2011, Richa vendeu dois aviões que pertenciam ao Estado, sob o argumento de que ambos eram antigos e ultrapassados.

Um dia antes do pregão, na última segunda-feira (9), Veneri apresentou à Justiça ação civil pública em que argumenta que a compra foi dirigida. “A Líder é a única que poderia vender a aeronave exigida pelas especificações técnicas do edital”, afirma.

Procurado pela reportagem do UOL, o governo negou que o avião se destine a transportar o governador. Segundo a assessoria de imprensa, o convênio com a Copel irá permitir que a aeronave fique abrigada no hangar do governo, no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, e que o poder executivo a utilize quando estiver ociosa.

A reportagem também entrou em contato com a Copel, mas foi informada que apenas a diretora de gestão corporativa, Yara Eisembach, está autorizada a falar do caso. Até o fechamento deste texto, às 18h40, ela não havia se pronunciado nem respondido ao pedido de entrevista.

Preço maior

A Copel lançou o primeiro edital para a compra do avião executivo em novembro, com preço máximo fixado em R$ 15.911.234. Poucos dias depois, o pregão foi suspenso, após deputados da oposição afirmarem que a aeronave serviria ao governador.

Em 13 de dezembro, a estatal publicou documento em que marcava o leilão para dali a dois dias. Entretanto, nenhum interessado apareceu na concorrência. Por isso, a empresa publicou novo edital, em que o preço máximo subiu para R$ 17.099.740. Desta vez, o pregão foi realizado. A Líder Aviação venceu, oferendo desconto de menos de R$ 176 mil. A Copel não informa se houve outros concorrentes.

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